AGENTES INTELIGENTES

A integração no multimédia dos «agentes inteligentes» foi a fórmula de ultrapassar as limitações que a complexidade das bases de dados apresenta. Com efeito, por mais atraente que fosse o design criado para a interface e por melhor estruturada que a base estivesse, tanto na perspectiva arborescente, como na sua organização em teia, era sempre difícil ao interactor explorar os seus conteúdos de forma exaustiva. A complexidade estrutural da base, a opacidade dos comandos que a dirigem, a lógica específica de quem a criou são outras tantas barreiras à pesquisa global dos seus conteúdos. A intervenção do «agente» clarifica ambientes e facilita a pesquisa na medida em que ele actua como um guia conhecedor dos meandros da «sua casa» e está, por conseguinte, à vontade para sugerir, explicar, demonstrar e clarificar rotas de pesquisa.

Para certos autores da escola norte-americana como Christopher J. Dede, «a interconexão, não linear e associativa de materiais multimédia multidireccionados» é a fórmula ideal para estruturar bases de dados. O multimédia, quando integrado em ambientes de aprendizagem que motivam a pesquisa estruturada, tem um maior potencial para desenvolver capacidades metacognitivas do que os media lineares.»

Nesta acepção, existe um conceito radicalmente inovador: os materiais multimediáticos propiciam interconexões «não lineares e associativas». Todavia, o autor também reconhece que boa parte das aplicações actuais ainda não possuem motores de pesquisa, sustentados por sistemas periciais, capazes de desenvolver «capacidades metacognitivas», fundamentais para facilitarem o acesso à informação que as bases de dados multimédia contêm. Recorde-se uma vez mais que os sistemas periciais são um ramo da Inteligência Artificial cuja programação possibilita a criação de rotinas que facilitam a navegação e a pesquisa estruturada com o objectivo de facilitar os acessos individuais não especializados.

O norte americano Christopher Dede, da Universidade de George Mason, fundamenta o seu conceito na capacidade de potenciar os sistemas multimédia com motores de pesquisa suficientemente poderosos para facilitarem não só uma pesquisa estruturada, como também para melhorarem as capacidades metacognitivas dos interactores. Acrescenta o autor « Enquanto a leitura, a audição e a visão são atitudes passivas comuns aos media lineares, as estruturas associativas organizadas em forma de teia exigem escolhas contínuas e capacidade de navegação interactiva por parte do utilizador. A potencialidade da representação hipermédia oferece uma ponte para transformar bases de dados multimédia fragmentadas em mundos virtuais ricos e detalhados.»

A breve digressão efectuada por este campo de pesquisa serve essencialmente para demonstrar que o mosto dos bits e bytes da informação necessita de um longo processo de fermentação, eventualmente catalisada por aditivos poderosos até se transformar num produto com qualidades reais para cumprir a função que os novos actos de comunicação impõem. Processo semelhante está a acontecer com os componentes que integram o computador: os novos processadores, a memória de acesso aleatório, as novíssimas placas gráficas, os codificadores e descodificadores de vídeo digital e a capacidade do disco rígido foram optimizados para possibilitarem à nova geração de PC’s desempenhos coerentes com os desempenhos que lhe são exigidos.

Excerto do livro Televisão Interactiva - A Convergência dos Media, de Carlos Correia, Ed. Notícias, Lisboa, 1998.

Para aprofundar o tema:

 

[ Inteligência - do centro para a periferia ] [ Pensar e agir no século XX ] [ Dispersão dos núcleos difusores de cultura ]

[ Convergência dos media ]

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