COMPUTADOR PESSOAL
A hipertrofia hoje concedida às linguagens da informática na relação íntima que estabeleceram com as linguagens oriundas de outros domínios, em particular das ciências da comunicação, determinam e objectivam uma boa parte da relação entre Saber e Poder na sociedade do século XXI. Algumas das ferramentas que a microinformática desenvolveu são máquinas que estão ao serviço do indivíduo e não é obra do acaso, nem mera coincidência, o facto de a mais conhecida de entre essas ferramentas ter adoptado a designação de PC. A associação dos dois termos remete para um tipo de relação do utilizador com a máquina, com carácter próximo da exclusividade. De facto, os computadores pessoais que melhor funcionam são os que estão afectados apenas a uma pessoa, que o configura e parametriza à sua maneira, em função da especificidade das tarefas que precisa de desenvolver. O teclado do PC configura-se cada vez mais como o prolongamento inteligente dos meus dedos, e a sedimentação de linguagens que está subjacente à sua utilização pressupõe que para poder trabalhar e comunicar eu domino conhecimentos que me permitem não só escrever um texto, sonorizar um segmento musical, ou montar uma sequência de imagens, como também difundi-la planetariamente. Este domínio das linguagens, dos microprocessadores e das redes telemáticas de comunicação possibilita-me «estar» potencial e simultaneamente em Lisboa, Pequim ou Nova Iorque, abolir o longe e a distância no mundo eidográfico, audiográfico e scriptográfico numa quase ubiquidade de tipo virtual.
Excerto do livro Televisão Interactiva - A Convergência dos Media, de Carlos Correia, Ed. Notícias, Lisboa, 1998.
Para saber mais:
[ Diagnóstico tecnológico, prognóstico comunicacional ] [ A geração Internet ] [ O homem e o computador ]