DIAGNÓSTICO TECNOLÓGICO, PROGNÓSTICO COMUNICACIONAL

Alguns dos instrumentos tecnológicos mais difundidos, como o telefone, a televisão e a rádio, tal qual nos habituámos a conhecer e usar, já têm escrita a crónica da sua descontinuação dentro de um prazo muito breve. Ela foi escrita nos laboratórios mais avançados do planeta, onde se investigam e produzem os novos instrumentos de comunicação do século XXI, como é, por exemplo o caso do Massachussets Institute of Technology nos EUA .

A afirmação só poderá espantar os observadores mais distraídos, ou os que se contentam com uma análise superficial e empírica do revolução que agita o mundo da comunicação. Este processo revolucionário em curso na aldeia global em que o mundo se transformou, não é apenas um mero processo de cosmética instrumental ou, se preferirem, mais uma operação de marketing consumista, organizada para obrigar os cidadãos a adquirirem novas maquinetas dispendiosas, destinadas a manter em alta o status e o prestígio individual de minorias privilegiadas.

Ao invés do que se poderia imaginar, este movimento integra solidamente na sua evolução pessoas e tecnologias, continente e conteúdo, civilização e cultura, ter e ser. Este caldo de cultura e tecnologia é o cadinho onde a fusão ocorre e caracteriza-se como um processo original na história da humanidade. Para os que apreciam parangonas emblemáticas, costuma-se afirmar que uma parte significativa dos actos de comunicação estão em vias de transitar da galáxia de Guttenberg para a galáxia de Marconi. Se minimizarmos a pompa e circunstância que a afirmação contém, descobrimos que, de facto, a ideia nela contida tipifica, na figura de dois vultos importantes da história da humanidade, o movimento que se traduz na diminuição progressiva da influência dos modos tradicionais de comunicação face ao predomínio crescente da telemática. Os laboratórios onde se desenham as ferramentas do futuro estão em vias de cunhar novas moedas comunicacionais, inimagináveis há poucos anos. Estas novas moedas permitem trocas mais fluentes de bens de comunicação e algumas contêm dentro de si não só acto da comunicação, como o seu dispositivo tecnológico. É na associação íntima entre tecnologia e conteúdo que radica a constatação de que forma e conteúdo são os equivalentes às duas faces da nova moeda cunhada para representar o novo paradigma da comunicação.

Excerto do livro Televisão Interactiva - A Convergência dos Media, de Carlos Correia, Ed. Notícias, Lisboa, 1998.

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