GERAÇÃO INTERNET

Don Tappscott, o autor canadiano de Growing up Digital - The Rise of the Net Generation, obra publicada pela McGraw-Hill em Outubro de 1997, caracteriza a personalidade da «geração Net» com uma acuidade muito interessante. Segundo o canadiano, os jovens do final da década de 90 têm tolerância e uma natural aceitação da diversidade; revelam um disparo sem precedentes da curiosidade; crêem nas próprias forças, possuem espírito de independência e autonomia exacerbada; o seu pensamento crítico é muito activo e demonstram um espírito contracorrente dirigido para a inovação; é forte o grau de auto-estima e o espírito de ir à luta; gostam de colaborar em rede e o trabalho em equipa decorre de um processo natural e não artificial; avaliam os resultados obtidos pela sua prática e não pela retórica; a sua necessidade de resultados revela-se no imediatismo e a sua escala é medida em tempo real; nota-se uma preocupação precoce com a afirmação da sua maturidade; demonstram a preocupação pela criação de uma cultura empresarial do tipo «Eu, Lda.»; já foram capazes de passar da leitura sequencial à hipermediática».

Os saberes das novas gerações exigem novas formas de participação que extrapolam a passividade no consumo. Poderei ser passivo nos momentos que me apetecer fruir um filme ou qualquer outra estória que me encante. Desejo ser activo em situações em que acho ser importante participar, mesmo que seja apenas para disputar um bom jogo de vídeo, controlar os ângulos de visionamento de um dado programa, ou para manifestar uma opinião através do televoto. Os novos consumidores da era digital revelam, segundo o canadiano, «exigência de diversidade de opções, gosto próprio muito personalizado, gostam de experimentar antes de comprar, têm uma atracção pela função e não pela forma e são hiper reactivos face à publicidade metida a martelo, característica negativa dos mass media.

O televisor que hoje ocupa a sala de convívio dos pais da «NET Generation» não responde a nenhum dos desejos da geração jovem, excepto em três situações extremas: ligar o receptor, mudar de canal e desligar. Convenhamos que é muito pouco para poder passar incólume a revolução comunicacional em curso.

Excerto do livro Televisão Interactiva - A Convergência dos Media, de Carlos Correia, Ed. Notícias, Lisboa, 1998.

Saber mais:

[ O homem e o computador ] [ Pensar e agir ] [ Convergência dos media ]

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