AS QUALIDADES DA TV TRADICIONAL
O sucesso planetário da televisão tradicional, radicou nas qualidades intrínsecas do sistema de comunicação de massas que soube responder com eficácia às necessidades informativas e comunicacionais da sociedade de 2ª vaga. Porém, no início dos anos 90 começaram a detectar-se os primeiros sintomas de esgotamento. Discretos no início, esses sinais já são mensuráveis no Estados Unidos. Nesse país a Internet já cativou 5% de audiência, que abandonou total ou parcialmente a programação das estações emissoras nos chamados períodos do horário nobre.
É evidente que esta nova opção das audiências não significa que a Internet vá substituir, ou destronar os canais televisivos, a curto ou médio prazo. Essa relação imediata de causa - efeito pode fazer títulos sensacionalistas em alguma Imprensa, mas é falaciosa e está vazia de conteúdo. A velocidade de transmissão de dados na Internet é, por enquanto medíocre, tanto na qualidade da imagem, como no som . Por ora, não põe globalmente em causa, nem faz perigar a TV, que tem mais brilho e maiores audiências.
A minoria que está em vias de abandonar a televisão tradicional, encontrou na Internet uma alternativa diferente, mas válida para esquemas e modelos de programação que são alienígenas à sua mundividência e mundivivência. Aqueles que se afastaram dos modelos de programação da televisão tradicional são pessoas maioritariamente situadas em escalões etários jovens, com nível de instrução médio, ou acima da média e uma boa parte da chamada média alta e culta, com formação universitária.
Trata-se, portanto, de uma minoria (alguns preferem chamar-lhe elite) com exigências sofisticadas, no que diz respeito a sistemas de comunicação. É dessa minoria que nasce o conjunto das forças criativas que, não só detectaram as fragilidades do velho modelo, como foram capazes de intuir uma boa parte das linhas-mestras da arquitectura comunicacional e tecnológica do media emergente.
Essa minoria perpassa pela programação dos canais televisivos, escolhe criteriosamente um ou outro dos escassos programas digeríveis e migra para outros universos da comunicação, em que a publicidade não é impositiva e a programação não está filiada num qualquer campeonato de reservas.
Em alguns sítios acessíveis na Internet com modem RDIS, já é possível aceder a vídeos interactivos, que remetem para hipertextos bem documentados, já se dispõe de conferências e reportagens que não se limitam à tão celerada lei do «pacote dos três minutos» e mesmo alguns dos canais temáticos da TV tradicional ensaiam, em certos casos, fórmulas de migração da informação para sistemas interactivos.
Excerto do livro Televisão Interactiva - A Convergência dos Media, de Carlos Correia, Ed. Notícias, Lisboa, 1998.
Para aprofundar o tema:
[ Televisão tradicional ] [ Televisão portuguesa ] [ Do mass media ao self media ]