WEB TV

Com a inserção na rede de modems específicos para o cabo coaxial é possível gerar sistemas interactivos interessantes de Web TV. Em Novembro de 1996 o Centro de Investigação que dirijo concretizou uma encomenda para a "Sala do Futuro" na Expo Telecom, realizada na Feira das Indústrias de Lisboa, que consistia numa emissão protótipo de Web TV. Este protótipo constava de uma aplicação informática, construída sobre a obra de Pedro Abrunhosa. Era possível fazer uma entrevista interactiva com o cantor, escolher três videoclips, cantar uma melodia conhecida no estilo karaoke e ouvir Abrunhosa comentar a génese das faixas do seu primeiro álbum.

Esta aplicação estava sediada num servidor da Telecom, no Areeiro, e os visitantes na Feira das Indústrias de Lisboa interagiam sobre o modelo construído, optando por qualquer uma das modalidades acima descritas. Experimentou-se na altura um modem, específico para o cabo coaxial que, teoricamente, assegurava uma largura de banda próxima dos 10 megabits por segundo. A discrepância entre o débito anunciado e aquele que foi efectivamente conseguido durante os três dias que durou a experiência demonstrou uma vez mais que em situações pioneiras as expectativas anunciadas raramente correspondem às realizações na prática. Efectivamente, o que de melhor se conseguiu na altura foi uma velocidade de transferência de dados próxima dos 1,2 Mbits por segundo, muito longe do débito anunciado. Todavia, a experiência decorreu com algum sucesso e a emissão interactiva realizada à distância entre o servidor situado no Areeiro e a Feira das Indústrias, decorreu de forma satisfatória, mau-grado a fluência no débito de dados não ser ainda aquela que inicialmente se anunciava.

Seja como for, o conjunto de iniciativas que a TV Cabo se propõe levar a cabo no nosso país é merecedor de alguma atenção, agora que os problemas legais que a impediam de gerar e emitir sinal interactivo foram finalmente ultrapassados. Aguarda-se para 1999 o início das primeiras emissões de televisão interactiva em Portugal. Segundo dados publicados pela própria empresa, a TV Cabo, na segunda metade de 1997, tinha cobertos cerca de dois terços do território nacional.

A constatação dos êxitos obtidos no mundo da investigação, gera aplicações interactivas que são formas privilegiadas de acesso a novas formas de comunicação, acessíveis a minorias. Tal não obsta a que se continue a fazer pressão para que os frutos a colher nas árvores dos sistemas interactivos possam ser partilhados pelo maior número possível de pessoas. Todavia, a real democratização nas oportunidades de acesso à chamada Sociedade da Informação é, no caso português, responsabilidade exclusiva do governo, que no momento detiver o poder, a menos que a revolução que está em risco iminente de cair dos céus, via rede de satélites em órbita baixa não estilhace privilégios e monopólios...

Por ora constata amargamente que, mau-grado a conhecida debilidade do poder de compra do português, também neste campo continuamos a ser economicamente imolados pelos governos em nome de estratégias macro-económicas que sacrificam o bem estar individual. E quando os poderes desfraldam bandeiras em nome da Sociedade da Informação, ao mesmo tempo que ordenam a um qualquer ministro da tutela que suba os preços das telecomunicações bem acima da taxa anual de inflação, não podemos uma vez mais deixar de recordar os maquiavélicas ensinamentos do maquiavélico «Príncipe».

Esta estratégia política e económica , a ser continuada, irá impedir por via do escasso poder de compra, que grande número de pessoas adira aos novos sistemas de comunicação e, consequentemente, prevê-se que a maioria dos portugueses seja relegada para a faixa obscura dos «info-excluídos».

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