Jarra Beethoven
De inspiração rocaille e linguagem simbólica esta peça de concepção e dimensões arrojadas numa só peça de barro vidrado, foi encomendada por José Relvas, violinista amador e apaixonado de Beethoven, para a sua Casa dos Patudos em Alpiarça. O entusiasmo do artista traduziu-se numa peça fantasiosa de 2,30 metros de altura, effectivamente é a obra mais completa que tenho feito. Se Deus ate ao fim, posso apresental'a como objecto raro, pela difficuldade de execução (30 de Agosto de 1895). Demasiadamente grande para o local de destino José Relvas a encomendou um exemplar de menores dimensões, finalizado em Abril de 1903. Senhor dos Patudos (1 de Dezembro de 1895): Infelizmente vejo que é collocal-a por forma que tenha a indespensavel exposição de luz, sendo tão inssuficiente o espaço da sala (...). Tenho por isso que acceitar o offerecimento, que o meu bom Amigo tão amavelmente me tem repetido, da substituição d'esta jarra por uma outra peça sahida das suas mãos. Custa-me muito, muitissimo mesmo, deixar de possuir um trabalho, que é incontestavelmente uma das suas obras mais preciosas, mas vejo bem que collocada aqui, perde ella muito e desequilibra completamente a casa (...) |
Jarra Beethoven - Museu Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro |
Esta peça monumental é um hino a Beethoven desde uma folha de partitura com as primeiras notas do Quarteto, opus 18, nº4, tocadas por 4 executantes empoleirados numa curva da jarra, o medalhão com o retrato do compositor guardado por uma grande águia, até à base com as palavras mágicas Melodia e Harmonia. De resto, todo o vaso está envolto em folhagens e figuras alusivas à música.
Não havendo em Portugal um comprador disposto a pagar 5 mil escudos pela fabulosa jarra, Rafael parte para o Brasil, em 1899, levando-a consigo na bagagem para uma exposição de faianças no Rio de Janeiro, acabando por ser sorteada em rifas. Uma vez que o número bafejado pela sorte não foi comprado, o ceramista ofereceu a jarra ao Rei D. Carlos.
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