A Gaiola Aberta

Apenas alguns dias após a revolução do 25 de Abril, Vilhena lança finalmente um "quinzenário de mau-humor". A primeira "Gaiola Aberta" sai a 15 de Maio de 1974. Nessa época agitada, a "gaiola" é um reflexo constante dos acontecimentos políticos e sociais que abanam o país em turbulência. Voltar a ler hoje essas revistas, é uma autêntica lição de história contemporânea, contada por um olhar esclarecido e sobretudo extremamente bem informado. O sucesso da revista foi considerável chegando aos 150.000 exemplares.

Nesta revista, Vilhena usa uma nova técnica: a fotomontagem. Com ela faz o seu "folhetim PIDE", uma fotonovela sobre a polícia política do regime. Todos os políticos passaram sob a mira certeira e mortífera deste humorista. É de referir o seu alvo de predilecção: Vera Lagoa. Era como o Eça de Queiroz, que quando lhe faltava tema, atacava o boi de Tunes. Sempre que podia, Vilhena atacava o "oportunismo político de Vera Lagoa". Quando lhe perguntam porquê, responde apenas que era porque sabia desenhá-la.

Porém, a fotomontagem causou-lhe pelo menos um problema grave: no nº 105, de Novembro de 1981, Vilhena fez uma fotomontagem em que apresentava a princesa do Mónaco numa pose pouco digna. Era uma paródia a um anúncio de uma marca de brandy. O principado do Mónaco processou o humorista exigindo 400.000 dólares. Finalmente, após alguns anos de processo, foi retirada a queixa. Pouco tempo depois, no entanto, a "Gaiola Aberta" encerrou. No entanto, Vilhena voltou ao ataque com "O Fala-Barato".

[ CITI ]