O Humor

"De todos os caricaturistas e humoristas nacionais que por cá trabalham no riso, José Vilhena é sem dúvida o mais português de todos, porque não procura um novo género de humor, antes dá generosamente aquele que já existe no espírito pronto a servir" - Osvaldo de Sousa

O elemento "ordinário" é sempre deliberado e faz rir pelo seu extremismo. O "mau-gosto" é mediado por uma fluência elegante e distinta de outras obras verdadeiramente populares do género. Dos livros para as revistas há um grande salto no uso do elemento "ordinário". As revistas, é preciso lembrá-lo, são posteriores à revolução e já não estão sujeitas à censura, embora a "Gaiola Aberta" tenha sido proibida durante dois meses, por uma alegada ofensa à rainha de Inglaterra. No entanto, continua uma das características essenciais dos livros e uma das clássicas técnicas de humor: a conjugação de vocabulário erudito e tom sério com termos de calão e de gíria. O humor nasce do contraste.

Frequentemente Vilhena foi acusado de ser um pornógrafo, nomeadamente pela PIDE que se servia desse pretexto para lhe apreender os livros. Porém, o autor defende-se: "se eu considerasse isso ordinarice não fazia. Há autores franceses onde tudo é muito mais violento." E continua:" sinceramente, eu releio os textos, e não vejo que haja neles mais sexo, mais erotismo, mais pornografia do que em qualquer escritor". Quanto aos desenhos, refere que todos os grandes humoristas têm desenhos ostensivamente pornográficos e os dele não são piores que os outros, antes pelo contrário.

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