Os livros

Os cerca de 70 livros que José Vilhena escreveu são, de longe, a parte mais rica de toda a sua obra artística e aqueles onde as suas qualidades de escrita, de observação, de crítica e até de humor mais se destacam. Curiosamente, todos são anteriores ao 25 de Abril de 1974, data a partir da qual Vilhena passou a dedicar-se exclusivamente às revistas.

Os livros de Vilhena têm em si uma "vocação de revista". Vilhena só não fazia revistas antes da revolução porque estas estavam sujeitas a censura prévia, o que não acontecia com as publicações unitárias. Assim, os livros acabam quase por ser "revistas disfarçadas". A sua periodicidade era mensal, tal como qualquer publicação periódica. A sua venda efectuava-se não em livrarias, mas ao lado dos jornais, em quiosques, tabacarias e jornaleiros. O aspecto exterior mostra uma clara estratégia publicitária: o livro é um anúncio de si mesmo. O padrão repete-se: mesmo tamanho (10 x 15,5 cm), capa ilustrada a quatro cores, mesmos tipos de letras, mais ou menos 144 páginas, ilustrações no interior, anúncios dos outros volumes nas últimas páginas. Trata-se claramente de um objecto padronizado, produzido em série, de forma quase industrial.

Assim, poder-se-ia classificar os seus livros como literatura de massa, que tem por definição uma carga conformista. Será talvez verdade no caso de Vilhena em relação aos seus personagens e temáticas. Porém, a sua literatura não está nunca ao serviço da ideologia do poder. A sua voz é sempre crítica e o seu humor tem uma vertente satírica muito forte.

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