PIDE

Uma preocupação de Salazar logo após a Constituição de 1933 foi a de constituir, à imagem dos demais regimes fascistas europeus, um corpo especializado e centralizado de informação e repressão política. Assim nasceu a Polícia de Vigilância e de Defesa do Estado (PVDE), rebaptizada em 1945 de PIDE- Polícia Internacional e de Defesa do Estado. Foi o elemento central do sistema repressivo, dependendo do ministério do interior, mas na prática, ao serviço do Presidente do Conselho. Foi a responsável por um regime de medo, delação e perseguição no quotidiano do Estado Novo, que permite classificá-lo de "regime policial". Podia deter cidadãos sem culpa formada, sem mandato nem fiscalização judicial, por períodos até seis meses. As "confissões" que extraía aos prisioneiros, normalmente sob sevícias e torturas, faziam fé em tribunal e serviam de prova (quando chegavam a tribunal).

José Vilhena esteve preso por três vezes durante cerca de três meses mas, no entanto, teve sorte: "a mim eles tratavam-me bem. Metiam-me na cadeia mas nunca exerciam as sevícias de que eram vítimas outras pessoas a quem eles queriam tirar informações. De mim não havia nada a tirar. Tudo o que eu sabia estava escrito nos livros". E acrescenta: "em relação a mim, eles eram simultaneamente polícias e juízes. Logo que me prendiam, determinavam o tempo que eu devia passar na cadeia. E portanto nunca cheguei a ir a julgamento. Só uma vez é que organizaram um processo, mas fui amnistiado por alturas da eleição do presidente Américo Tomás"

Conta-se que uma vez, encheu uma mala de livros e foi ele próprio entregá-los à António Maria Cardoso (sede da PIDE) dizendo que não era preciso darem-se ao trabalho de lhe irem apreender os livros, que ele já os levava ali. Isto depois de os ter andado a vender por todo o lado, é claro. Verdade ou não, este episódio é mais um exemplo da relação especial que o autor conseguiu estabelecer com a polícia política.

[ CITI ]