Revistas

"É indecente vivermos num país onde não se publica uma única revista de humor, um jornalzito de crítica dos costumes, qualquer coisa que distraia".

José Vilhena publica sozinho a única revista portuguesa de humor. Este desolador cenário seria absolutamente impensável no Portugal de há cem anos, no qual a profusão de revistas satíricas, cómicas e humoristicas era enorme. Os primeiros anos da República viram nascer grandes talentos na caricatura, que tiveram o seu expoente máximo em Bordalo Pinheiro. Porém as sucessivas vagas de censura conseguiram matar esse movimento que, se é certo que cometeu numerosos excessos, era uma marca de saúde e vigor do humor português.

Após um tempo de pausa, depois da "Gaiola Aberta", Vilhena voltou ao ataque com "O Fala-Barato- Pasquim Abjecto". Vilhena justifica a pausa com falta de tempo: a gestão das boites exigiria demasiado.

As diferenças esbatem-se entre estas revistas. As suas semelhanças são flagrantes e sugerem que as mudanças de nome não sejam mais do que uma operação plástica, um puro acto cosmético. Do ponto de vista externo, as revistas têm o mesmo formato, sempre com uma moldura vermelha. Por motivos comerciais, as capas ganham cor após alguns anos de Fala-Barato, pois "ficam com maior destaque no quiosque". A subtil distinção entre O Fala Barato e as seguintes está nas cores do cabeçalho. Fundo vermelho, texto branco, que passa a texto preto sobre fundo branco. O tipo de letra permanece inalterado. De resto, no primeiro número do "Moralista" a "Dorita" explica: "A revista mudou de nome mas a porcaria é a mesma. Só mulheres nuas, só mulheres nuas!"

Algumas secções, de resto, são mais ou menos constantes. Temos assim:

- Os três pastorinhos

- Conversas de Deus e do Diabo

- As sondagens da Dorita, e os seus "Bilhetinhos"

- O Novíssimo Testamento e o Evangelho segundo José Vilhena

O Cavaco foi uma experiência relativamente curta e acabou com fim do mandato eleitoral de Cavaco Silva. Seguiu-se "O Marginal", que foi rapidamente substituído pelo "Moralista". Como se vê pelas capas, além do humor mais "puro", as anedotas intemporais que retomam as temáticas habituais (maridos enganados, cornos, bêbados, padres pecadores, etc.), há uma grande parte dedicada à actualidade, aos seus temas e personagens. As críticas são, como sempre, ferozes e na tradição das sátiras do início do século. A política e sobretudo os políticos são dos seus alvos preferidos.

As temáticas não se alteram, sendo que, na maior parte das vezes há uma mulher na capa, normalmente em pose ou atitude sexual. A contracapa serve frequentemente de continuação da primeira, num jogo dúplice tipo pergunta-resposta.

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