Avelino Cunhal

Avelino Cunhal era, nas palavras do seu filho, Álvaro Cunhal, "um homem excepcional de carácter e de integridade". (Luís Machado, 1991)

Natural de Seia, onde nasceu em 1887, Avelino Henriques da Costa Cunhal formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra.

Em 1922 foi nomeado Governador Civil da Guarda e em 1924 veio para Lisboa, onde exerceu advocacia, destacando-se na defesa de diversos acusados pela ditadura de crimes contra a nação e práticas subversivas.

Mas o interesse na personalidade de Avelino Cunhal advém sobretudo da sua versatilidade.

Foi colaborador das revistas Vértice, Seara Nova e O Diabo. Escreveu dois romances, Senalonga, cujo tema é Seia, sua terra natal, e Areias Secas. Foi, ainda, dramaturgo, tendo escrito várias peças de teatro em 1 acto, estas sob o pseudónimo de Pedro Serôdio. Naquele Banco, Ajuste de Contas, Dois Compartimentos e Tudo Noite são algumas delas. Estas peças tinham claras intenções de intervenção social, pelo que foram alvo de censura, constituindo "uma das raras presenças do neo-realismo na literatura dramática portuguesa." (Manuel Alves de Oliveira, 1990)

Sempre integrado na corrente neo-realista, Avelino Cunhal destacou-se como pintor e desenhador. Participou nas Exposições Gerais de Artes Plásticas da Sociedade Nacional de Belas Artes, tendo visto as suas obras apreendidas pela polícia na segunda destas exposições, em 1947.

A postura intelectual e política de Avelino Cunhal era claramente de esquerda e todos os seus trabalhos são uma forma de intervenção e de luta contra o regime.

Avelino Cunhal esteve preso durante vários meses, um dos quais incomunicável, precisamente pela sua acção intelectual e política.

Morreu a 19 de Fevereiro de 1966.

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