Exposições Gerais de Artes Plásticas

As Exposições Gerais de Artes Plásticas foram realizadas anualmente pela Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, entre 1946 e 1956, com excepção de 1952, ano em que a SNBA esteve encerrada pela PIDE.

As Gerais constituíram a principal oposição à política cultural de António Ferro e às Exposições de arte moderna do SNI (Secretariado Nacional de Informação), sendo decisivas para a queda daquele. Organizadas pelo MUD, então controlado pelo PCP, os seus propósitos eram "uma fusão de géneros e de correntes estéticas", "expressões diferentes, mas solidárias de um Homem, que tem estado separado, incompleto, despedaçado e busca agora ansiosamente o caminho da sua integração", daí a designação de Exposições Gerais. Pretendiam ainda "aproximar a arte do povo", levar ao povo "uma mensagem de amizade e de solidariedade". Estes propósitos inserem-se plenamente no ideário neo-realista e, de facto, estas exposições foram, principalmente as duas primeiras, o auge da afirmação neo-realista nas artes plásticas em Portugal.

A I Exposição Geral de Artes Plásticas foi um êxito, inclusivé junto da crítica mais conservadora, que não se apercebeu das intenções de intervenção política. Êxito esse que aumentou na segunda, principalmente depois da crítica avassaladora do Diário da Manhã de 8 de Maio de 1947, que denunciava o carácter subversivo da mesma. Este facto provocou a intervenção do Governo, que enviou à SNBA o próprio Ministro do Interior, Cancela de Abreu, acompanhado pela PIDE. Desta intervenção resultou a apreensão de obras de vários artistas, entre os quais, Júlio Pomar, Avelino Cunhal e Manuel Ribeiro de Pavia.

A partir daqui as Gerais foram sujeitas a censura prévia, o que na terceira destas exposições levou à ruptura com os surrealistas, que recusaram sujeitar as suas obras a censura. As últimas exposições já não tinham a mesma força e significação das primeiras, o que levou ao seu término em 1956, com uma retrospectiva.

Ao longo de dez anos expuseram nas Gerais 282 artistas e 2764 obras, dos quais se destacam Júlio Pomar, Vespeira, Avelino Cunhal, Ribeiro de Pavia e Lima de Freitas.

A grande vitória destas exposições foi o facto de terem conseguido definitivamente trazer quase todos os artistas para a oposição ao regime.

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