Neo-Realismo Visual Português

O neo-realismo visual português tem duas influências muito importantes: por um lado o neo-realismo literário, em que a influência de Alves Redol e Manuel da Fonseca foi um elemento determinante; e por outro, os novos movimentos artísticos da América do Sul, fortemente inspirados pelos ideais comunistas. O muralismo mexicano, com as obras de Orozco, Rivera e Siqueiros, e a obra de Portinari, que se tornou a grande referência dos pintores neo-realistas portugueses.

O neo-realismo surgiu como principal oposição ao modernismo oficial promovido pelo SNI (Secretariado Nacional de Informação), e as Exposições Gerais de Artes Plásticas da SNBA (Sociedade Portuguesa de Belas Artes) foram o seu grande espaço de afirmação.

O principal fundamento do neo-realismo era a ideia de que a arte deve "exprimir a realidade viva e humana de uma época", "exprimir actualmente uma tendência histórica progressista", tendo em conta que "formas novas podem ter um significado velho" e "formas velhas - ainda que excepcionalmente - podem conter um significado moderno e progressista." Isto era o que defendia Álvaro Cunhal nas páginas de O Diabo, em 1939.

Também Mário Dionísio e Júlio Pomar foram elementos cruciais na teorização, defesa e divulgação deste movimento. Seara Nova, Vértice, O Diabo, página Arte de A Tarde, Mundo Literário, entre outros, eram os seus principais veículos.

Em termos formais o realismo e o naturalismo, o exagero no volume dos corpos, são características centrais, mas o neo-realismo português distinguiu-se por uma grande diversidade formal.

A afirmação de que neo-realismo foi a tradução possível de realismo socialista não é totalmente correcta. Apesar de haver alguma influência e de o neo-realismo estar intimamente ligado aos ideais comunistas, de defender uma arte de intervenção social e política, que fale do povo e para o povo, não foi implantado em Portugal por decreto do P.C.P. e não sofreu orientações ou restrições formais. Muitos dos pintores neo-realistas eram comunistas, mas muitos não eram, eram apenas artistas que viviam numa ditadura e sentiam a necessidade de expressar a sua revolta contra essa situação.

O neo-realismo foi perdendo a sua força, pois novas correntes estéticas, como o surrealismo e o abstraccionismo, surgiram e  impuseram-se, determinando a sua decadência.

Destacaram-se neste movimento artístico nomes como Júlio Pomar, Avelino Cunhal, Marcelino Vespeira, Manuel Filipe, Ribeiro de Pavia, Arco (Rui Pimentel), Moniz Pereira, Cipriano Dourado, Lima de Freitas, entre outros.

Abel Salazar foi também uma personalidade muito importante para este movimento, como percursor.

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