Uma definição de escultura
A escultura é particularmente difícil de definir, sobretudo porque as suas possibilidades poéticas se encontram inerentes e dependentes de valores obscuros e oscilantes entre vários pólos de significado. Apesar da escultura existir como forma sólida e tangível no espaço no seio de um ambiente verdadeiro, apesar de ser definida por via da luz real, a escultura não é uma presença passiva no mundo da acção humana: é capaz de exercer por si uma acção própria.
A escultura situa-se algures entre arquitectura e a pintura. Por um lado, trata das formas estáveis no espaço, como a arquitectura. Por outro, abre-se à representação e ao simbolismo, à arte da imitação, como a pintura. Esta dupla relação institui dois pólos distintos de significado formal: um baseado na estrutura, na ordem e em formas abstractas existindo no espaço (como a arquitectura); outro fundado na representação e nomeação de objectos e seres (como a pintura). Entre tais pólos, onde valores e significados se deixam fixar, permanecem extensas áreas de expressão e sugestão.
É na exploração dessas áreas que podemos encontrar João Cutileiro.
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