Os Guerreiros

Eis um tema que é tratado pela escultura, desde a história da antiguidade. "Guerreiro" assume, nas diversas formas e estilos, o lugar de paradigma; é dos temas mais universais que se pode encontrar na história da escultura.

No caso de Cutileiro, os guerreiros são um tema bastante abordado. São figuras que funcionam ao nível da sugestão e da representação do paradigma e que em nada se referem a retratos ou factos concretos, apresentando-se como figuras quase surrealistas: eles começaram por ter armas e serem identificados sexualmente, para depois perderem as armas e ganharem uma caveira (símbolo de Orfeu). A cabeça nem sempre é identificada e sua atitude é estática o que, segundo os entendidos, reflecte as influências de Henry Moore e de Reg Butler.

Contudo, nos guerreiros há uma grande afirmação da linguagem pessoal de Cutileiro. Exemplo disso é a utilização, nos muitos guerreiros que tem feito, das técnicas e formas que tem desenvolvido e que tanto o caracterizam: utilização de materiais encontrados, associação de elementos geométricos de diferentes tamanhos e dimensões, composição do corpo como solução articulada, trabalho em diferentes escalas, etc.

Nos seus guerreiros, Cutileiro deixa trespassar toda uma poética, que revela a sua simpatia e reflexão sobre este tema e, ao mesmo tempo, nos mostra as sucessivas vivências e experiências que o escultor foi absorvendo. Cutileiro transforma, assim, este tema antigo e universalizante num tema seu, numa associação quase directa à sua escultura.

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