Perfil do Escultor
Artista com uma imaginação poética em constante mutação, João Cutileiro é um cronista da sociedade: sem papas na língua, tem uma palavra a dizer sobre quase tudo e é directo e certeiro nas críticas que faz.
Cutileiro é um homem que faz rir. Tem sempre uma pequena história para contar, uma pequena aventura que lhe aconteceu, qualquer coisa de espantoso ou inacreditável, passada numa das muitas viagens que fez ao longo da sua vida. E ri, ri de si próprio e das situações por que passou.
É um homem simples no trato, apesar de ter fama (e de assumir) de que tem mau feitio. É fiel a uma auto-disciplina que o obriga a começar a trabalhar às seis da manhã, com uma sesta entre as duas e as quatro e o recomeço por volta das sete. Apesar desta rotina, apesar de estar protegido pelos altos muros da sua casa e de passar os dias com os ouvidos tapados e protegidos dos barulhos das máquinas (e do mundo), consegue manter uma relação com a realidade que o inspira: embrenhado no seu processo criativo, apenas recebe do mundo aquilo que precisa para continuar no centro de tudo.
É este o retrato de Cutileiro, o grande escultor que revolucionou a escultura portguesa e que tem obras espalhadas por colecções do mundo inteiro; o homem que passa o dia coberto do pó da pedra e que não tem qualquer vergonha em dizer que o que mais gosta de vestir para trabalhar são umas simples calças de fato de treino.
[ CITI ]