A Engomadeira

Uma das obras-primas literárias de Almada, redigida em 7 de Janeiro de 1915. É também ela, juntamente com Saltimbancos, uma obra interseccionista, pois tal como diz o autor no seu prefácio: ... interseccionei evidentes aspectos da desorganização e descarácter lisboetas.

A personagem principal é uma jovem empregada de uma engomadoria. Muito ingénua vai deixar que sua mãe a deixe à mercê de um burguês casado. Este burguês monta-lhe um quarto onde se dão as cenas mais mirabolantes de toda a obra: ligações sexuais da engomadeira com varinas, com um anão deformado e outros; as relações conflituosas com a esposa do burguês e o suicídio da mãe.

A Engomadeira revela uma característica confusão de imagens e um baralhar de descrições ambientais com expressionismo e até surrealismo. Mas as coisas sexuais nunca se degradam do obsceno até à mera e excitante pornografia: Almada trata-as com uma inventividade e uma rítmica obsessividade que as transfigura em verdadeira poesia (in História Ilustrada das Grandes Literaturas - Literatura Portuguesa VIII, 1ª edição, 2º Volume, Lisboa, Editorial Estúdios Cor, 1973, p. 692).

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