Ingenuidade Infantil

A concepção básica é a de que o poeta se deve esvaziar de todas as aquisições de adulto, de todo o seu aprendizado intelectual e até moral, «reaver-se, reaver a sua ignorância, reaver a sua ingenuidade, reaver todas as condições em que foi gerado», ou seja, um «estado de pureza» em que (...) tudo se sabe sem se dar por isso. Donde a oposição entre a sabedoria infantil e a livresca, entre as intuições de criança que a mãe ainda bafeja e a experiência urbana e cosmopolita: as primeiras gatatujas ilegíveis do bebé conteriam precisamente as linhas com que as coisas foram divinamente modeladas" (in História Ilustrada das Grandes Literaturas - Literatura Portuguesa VIII, 1ª edição, 2º Volume, Lisboa, Editorial Estúdios Cor, 1973, p. 694).

Obras "ingénuas" de Almada são "Histoire de Portugal par Coeur", "Rondel de Além Tejo", "O Menino d' Olhos de Gigante", "O Dinheiro", "O Diamante" e "A Invenção do Dia Claro".

Em 1935, Almada publica um "Elogio de Ingenuidade" na "Revista de Portugal" (nº6). Mais tarde, este texto vai constituir também as ideias principais de um "Prefácio a Qualquer Poeta", in "Atlântico" (nº2) de 1942.

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