A cor

Nos quadros mais clássicos de José de Guimarães, as cores vivas desempenham um papel muito importante, contrastando umas com as outras, sem zonas de transição. Citando Marc Le Bot, isto significa para o pintor «que estão do lado da vida» («José de Guimarães», Marc Le Bot, Ed.Afrontamento, 1992, p.30).

Quando nos seus quadros surgem cores intermédias parece querer significar que pintor está a reproduzir recordações do passado. Segundo o mesmo autor «os meios tons têm qualquer coisa de nostálgico».

Parece, assim, ter sido a cor um dos factores que mais atraiu José de Guimarães a outros pintores tais como os contemporâneos Miró, Klee, Kandinsky, Picasso e especialmente, o seiscentista Rubens. À imagem de Rubens, que em oposição aos protestantes puritanos da época, tem uma representação exuberante e colorida do corpo e da teatralidade da vida, Guimarães privilegia, e é influenciado por temas cuja reprodução é conseguida à custa de cores fortes e vivas: a arte africana, o próprio Rubens, o circo, o desporto e a arte mexicana.

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