Biografia

João Vieira nasceu a 4 de Outubro de 1934 na aldeia de Anêlhe, em Vidago, Trás-os-Montes. Aos quatro anos de idade vem com os pais, professores primários, e as quatro irmãs para Lisboa.

Em 1951 ingressa na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa onde frequenta os dois primeiros anos do curso de Pintura e estabelece os primeiros contactos com alguns pintores neo-realistas: Júlio Pomar, Lima de Freitas e Rogério Ribeiro com quem compartilha o atelier. Em 1953 abandona o curso e em 1955 cumpre parte do serviço militar.

Em 1956 tem um atelier por cima do Café Gelo, com José Escada, René Bertholo e Gonçalo Duarte e integra o chamado Grupo do Gelo. Expõe pela primeira vez na colectiva "I Exposição dos Artistas de Hoje", na Sociedade Nacional de Belas Artes e é novamente incorporado no serviço militar, que termina em 1957.

Parte para Paris, onde executa alguns trabalhos de sobrevivência e frequenta o curso da Académie de la Grande Chaumière, sob a orientação de Henri Goetz. Conhece Vieira da Silva e Arpad Szenes, seu orientador quando em 1959 recebe uma bolsa por dois anos, atribuída pela Fundação Gulbenkian.

Co-fundador do Grupo KWY, juntamente com Lourdes Castro, René Bertholo, José Escada, Gonçalo Duarte, Jann Voss e Christo, publicam a revista com o mesmo nome e convive com os elementos do grupo espanhol El Paso (Saura, Feito, Millares). Expõe individualmente pela primeira vez, na Galeria do Diário de Notícias, em Lisboa e descobre o que chama de sinais alfabéticos.

Em 1962 regressa a Lisboa, onde permanece por dois anos, leccionando pintura na Escola Antonio Arroio. Em 1964 regressa a Paris, onde adoece gravemente, e no ano seguinte parte para Londres, onde ensina no Maidstone College of Art durante um ano, em que priva com a comunidade artística portuguesa (Alberto de Lacerda, Helder Macedo, Paula Rego, Menez, Bartolomeu Cid, Mário Cesariny, Cutileiro).

Em 1967 regressa a Portugal e começa a trabalhar quase exclusivamente em cenografia. Recebe o prémio do Ciclo de Teatro Latino de Barcelona pela cenografia de D.Quixote em 1968. Neste ano inicia a actividade de cenografista para a RTP, onde se mantém até 1972. Faz pela primeira vez investigação cenográfica, para a série de programas Panorama do Teatro Português e visita, em estudo e trabalho, a BBC e ITV, em Londres, e a NCK ,em Tóquio, em 1970. Nesse ano realiza a sua primeira performance (a que chama acção-espectáculo) na Galeria Judite Dacruz, durante a exposição O espírito da Letra (que termina com a destruição das obras expostas), e pela qual recebe uma Menção Honrosa no Prémio SOQUIL 70. Recebe também o Prémio Nacional de Encenação pelo trabalho em Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?, em 1971, ano em que lecciona no IADE.

Em 1973 parte para Londres, onde trabalha e faz investigação sobre Teatro e Artes Plásticas. Regressa a Portugal em 1974 e torna-se designer na fábrica de espumas de poliuretano FLEXIPOL até 1975. Entretanto executa as ilustrações para o livro Contos Carcomidos, de Jorge Listopad, faz trabalho didáctico com grupos de teatro amador (Guilherme Cossoul, Campolide), desenvolve actividades de animação cultural por todo o país e participa como monitor nos estágios de formação de animadores culturais do FAOJ e INATEL.

Em Setembro de 1975 torna-se funcionário da Secretaria de Estado da Cultura, como Director do Gabinete de Animação Cultural da Direcção-Geral da Animação Cultural, e posteriormente Coordenador da Área Cultural de Belém (Galeria Nacional de Arte Moderna) até 1981. Foi adjunto do Secretário de Estado da Cultura Helder Macedo durante o governo de Maria de Lurdes Pintassilgo.

Em 1978/79 é professor de Cenografia no Conservatório Nacional. Estuda Encenação e Cenografia com Josef Szayna no Teatro Studio Galeria em Varsovia. Participa no seminário da Semana de Arte Contemporânea do Museu Vostell Malpartida, em Malpartida de Cáceres, com Canogar, Palazuelo, Gordillo, Fernando Pernes, Ernesto de Sousa, etc.. Inicia a actividade de professor de pintura nos Cursos de Formação Artística da Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa, em 1980.

Em 1982 faz recolha etnográfica em Trás-os-Montes. Em 1984 realiza serigrafias para o álbum KODAK sobre um poema de Herberto Helder. Em 1986 expõe em Berlim e Hannover.

A partir de 1987 enceta uma viagem pela história da pintura portuguesa, com As Imagens da Escrita, sobre os Painéis de S.Vicente, de Nuno Gonçalves, continuada com o trabalho sobre Francisco de Hollanda (Diálogos de Lisboa) em 1988 e com Efeitos de Espelho (à maneira de Grão Vasco) em 1995. A partir da viagem a Macau para a exposição Artistas Portugueses, em 1991, começa a estudar os caracteres chineses, que vem a utilizar na exposição Silêncio Chinês, em 1993.

Em 1995 realizou seis grandes painéis de azulejo para o metropolitano de Budapeste e prepara vitrais para a futura estação do Terreiro do Paço, em Lisboa.

Com a exposição Um Almirante Em Vez de Coração faz em 1996 a primeira incursão no universo multimédia (a segunda versão da peça foi apresentada na exposição Soquil).

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