Poetas

A relação de João Vieira com os Poetas tem início com o Grupo do Gelo, quando conhece Herberto Helder, Helder Macedo, Manuel de Castro e Mário de Cesariny de Vasconcelos. Contudo, a sua integração vivencial com os escritores vem já de muito longe, remontando à educação familiar, pois é criado numa sala de aulas, com pai e mãe professores. As influências de Camilo Pessanha, Mário de Sá-Carneiro, Ângelo Lima e Fernando Pessoa levam-no a transportar os versos para a tela.

Em 1984 realiza serigrafias para o álbum KODAK, sobre um poema de Herberto Helder. Em 1988, na exposição Diálogos de Lisboa, sobre o pintor Francisco de Hollanda, João Vieira transpõe a tradução que este terá feito das metáforas filosóficas do Infante D. Luís na sua série sobre a Criação do Mundo para as letras do seu próprio alfabeto pictórico.

Fundamental para a compreensão da sua obra são os versos de Cesário Verde, que terão mesmo ajudado o próprio pintor a entender que toda a pintura é uma arte de organizar alfabetos, ao sugerir uma relação específica entre a poesia e a pintura, quando escreveu:

Pinto quadros por letras, por sinais,

Tão luminosos como os do Levante,

Nas horas em que a calma é mais queimante,

Na quadra em que o Verão aperta mais.

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