Teatro

Os primeiros contactos de João Vieira com o Teatro vêm do Grupo do Gelo, quando faz ilustrações para a peça O Comedor de Fiambre do Poeta Garcia de Medeiros, criação colectiva com Helder Macedo, Herberto Helder e José Sebag. Durante a estadia em Londres (1965-1967) descobre a cenografia através do movimento Happening, em que as influências transatlânticas de John Cage e Pollock, alicerçadas em Duchamp, Artaud e Brecht, fazem esbater as fronteiras entre a Música, o Teatro, a Pintura, a Moda, o Cinema, a Fotografia e a Escultura (que se anima em "mobiles"). Andy Warhol e a sua Factory surgem como um dos centros polarizadores de toda esta energia que parece disparar em todas as direcções, preparando a sua "mundialização" através da Televisão.

No seu regressa a Lisboa em 1967, começa a trabalhar em cenografia quase em exclusivo, e no ano seguinte recebe o Prémio do Teatro Latino de Barcelona, pelo trabalho desenvolvido em D. Quixote, encenado por Carlos Avilez para o Teatro Experimental de Cascais Seguem-se outras encenações: O Porteiro de Harold Pinter, encenado por Jorge Listopad para o Teatro do Nosso Tempo, À Espera de Godot de Samuel Beckett, encenado por Jacinto Ramos para o Grupo de Teatro do Banco de Angola, A Ilha dos Escravos de Marivaux, encenado por Luis Lima para o Teatro Experimental Universitário de Coimbra, Ida e Volta de Hindemith e O Capote de Chailly, para o XIII Festival Gulbenkian de Música.

No mesmo ano inicia uma colaboração de três anos com a RTP, como cenografista e prossegue a formação e investigação cenográfica. Lecciona cenografia no Conservatório Nacional em 1978/79 e estuda Encenação e Cenografia, com Josef Szayna em Varsóvia no Teatr Studio Galeria.

Em 1971 recebe o Prémio Nacional de Encenação pelo seu trabalho em Quem Tem Medo de Virgínia Wolf? de Edward Albee, para a Companhia Vasco Morgado. Entre outras peças que fez cenografia destacam-se O Círculo de Giz Caucasiano de Brecht, 1383 de Virgílio Martinho, Baal de Brecht,Traições de Harold Pinter, Paisagem de Harold Pinter, e Molière de Bulgakov, encenado por Joaquim Benite para a Companhia de Teatro de Almada. Prentendeu sempre integrar nos seus trabalhos temas que evidenciassem as suas preocupações de ordem social, traduzindo-as esteticamente de modo a que o objectivo do autor seja atingido com a maior eficácia e nunca caíndo na espectacularidade gratuita.

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