Margarida de Abreu
Foi aluna de Madame Sosso Dukas, em Lisboa, de Miss Kitcat, que leccionou dança rítmica às alunas do Instituto de Odivelas, e de Madame Schau, assim como do Instituto Dalcroze de Genève. Formou-se, essencialmente, no domínio da dança rítmica, mas tornou-se professora de bailado clássico, em 1937.
Em 1939, foi convidada pelo Director do Conservatório Nacional de Lisboa para professora interina, uma vez que este ansiava reformar o ensino nesta instituição.
Margarida de Abreu representou um progresso em relação ao ensino anterior, apesar da sua formação não ser a mais adequada, pois não teve preparação neste sector, nem carreira teatral, o que se reflectia na organização dos seus programas, que não era muito coerente. Esta incoerência é observável na constante mutabilidade das matérias inscritas nas provas de conclusão de curso. Apesar da aula de Dança ser apenas uma e estar sob a regência de uma única professora. Por exemplo, em 1947, Anna Máscolo e mais duas colegas concluem o curso com provas de Bailado Clássico, Interpretação Plástica e Bailado Neo Romântico; no ano seguinte, Águeda Sena e outra aluna prestaram provas de Plástica, de Carácter, de Composição Individual e Dança Clássica; em 1951, três alunas, incluindo Luna Andermatt, prestam provas de Bailado Clássico, Carácter e Bailado em Acção, etc.
As suas primeiras experiências coreográficas, no campo da dança teatral, datam da sua colaboração na ópera "Leonor Teles", de João Arroyo, em 1941. O espectáculo em que assume, com maior responsabilidade, a sua posição de coreógrafo, é o segundo da série comemorativa do 150º de S. Carlos, em 1943. Aí apresenta um "Bailado Setecentista" (Carlos Seixas - A. Santos), "Cristal" (Ruy Coelho), e a "Pastoral" (Ivo Cruz). São seus intérpretes um grupo de alunos do Conservatório que, pela 1ª vez, se apresentam fora do contexto escolar.
Desta experiência, em 1944, Margarida de Abreu, criou o Círculo de Iniciação Coreográfica que traçou um caminho paralelo ao de "Verde Gaio".
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