Conservatório

O Conservatório de Arte Dramática foi criado pela rainha D. Maria II por um decreto de 15 de Novembro de 1838. Ficou estabelecido que este se comporia de 3 escolas: Artes Dramáticas, Música, Dança Mímica e Ginástica Especial.

Nos bastidores de toda a organização do Conservatório estava Almeida Garrett a quem se ficou a dever a planificação dos estudos. Caso esta se tivesse vindo a cumprir, talvez os intuitos de sua Majestade fossem passíveis de serem alcançados: à medida que os alunos se fossem formando, criar uma nova companhia de actores nacionais, que ficaria sob a sua protecção.

As escolas tiveram início simultaneamente. João Domingos Bontempo e Garrett superintendiam as de Música e Arte Dramática, e António José Braamcamp a de Dança. Junto deles estavam as mais destacadas figuras da intelectualiade portuguesa do tempo, que depois se reuniram numa academia anexa, fundada também por Garrett, mas esta não teve uma vida longa.

A escolha dos professores fez-se em concursos com provas públicas. O júri de Dança era composto por José Maria Campelo (Presidente), António Frederico Castilho, Francisco Schira, José Avelino Canongio, Conde de Farrobo, Claudio Lagrange Monteiro Barbuda, António Lodi, Conde de Melo, Francisco de Sousa Loureiro, Manuel Joaquim dos Santos, Gonçalo José Vaz de Carvalho.

Em finais de Setembro de 1838, apresentaram-se para prestar provas para a Aula de Dança: Bernardo Vestris, José Zenoglio e João Victor Nicoli. Para a Aula de Mímica apenas Luigi Montani e para a de Ginástica Júlio Chion.

O Curso de Bailarinos do Conservatório de Lisboa funcionou de 1839-40 a 1868-69 e de 1913-14 em diante. Tinha uma média de 15 alunos por ano, sempre com um baixo número de elementos do sexo masculino. Inclusivamente, até 1949- 50, o curso de dança designava-se "Curso de Bailarinas" por ser frequentado apenas por alunas.

Neste curso, os professores foram inúmeros, ao longo dos anos: Bernardo Vestris, Francisco Jorck, Achilles Polletti, José Zenoglio, Arthur Saint- Léon, Hypolite Monet, Romilda Pizzola, Encarnación Fernandez, Ernestina Correia Gomes, Margarida de Abreu, Alice Turnay, Wanda Ribeiro da Silva, Júlia Cross, Jorge Salavisa, etc.

Ao longo da sua história e, sobretudo, após a fusão dos Conservatórios de Música e de Teatro (a dança figurava como um anexo deste último) no Conservatório Nacional, as alunas diplomadas pelo curso de dança têm o direito de preferência para a admissão no corpo de baile de S. Carlos.

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