Coreógrafa

A formação de Olga Roriz enquanto coreógrafa ficou muito a dever a alguns professores e bailarinos conceituados nessa área. Em 1983, frequentou, em Gilford um curso para coreógrafos e compositores dirigido por Alwin Nikolais. O trabalho desenvolvido com os coreógrafos Lar Ludovitch, Vasco Wellenkamp, Louis Falco, Christopher Bruce e, o contacto que teve, em Setembro de 1982, na Holanda, com Jiri Kylian foram decisivos.

Todos estes coreógrafos com que trabalhou foram-lhe abrindo o campo de interesses para outras coisas, que não tinham a ver com o seu próprio projecto. Quando teve os seus primeiros contactos com a técnica Grahm, ainda no Conservatório, nas aulas de Wellenkamp, foi como se tivesse descoberto uma nova forma de respirar, de pensar o movimento, de sentir. Assim, apercebeu-se que não seria na dança clássica que se iria realizar ou conseguir descobrir as coisas que pretendia.

Bailado "Propriedade Privada" (1996)

Olga, desde cedo, teve vontade de fazer os seus próprios movimentos. Dentro da sua cabeça sempre houve ideias para movimentos, ambientes que gostaria de pôr em palco, situações, os figurinos, os cenários.

Olga Roriz ficou 18 anos na Gulbenkian. Sempre que a Companhia ia para o estrangeiro levava sempre um coreógrafo português, era essa a política da Companhia. Desta forma, Olga teve oportunidade de acompanhá-la por diversas vezes. Além disso, em todos os programas obrigatoriamente havia uma coreografia sua, naquele que era um estatuto dos coreógrafos residentes.

Bailado "Finis Terra" (1994)

Mas essa situação em breve a começou a fatigar e a fazê-la sentir espartilhada. A sua única solução eram os poucos espectáculos a solo que ia fazendo, e as férias e licenças que ia tirando para poder coreografar, afastada das pressões de prazos de entrega. Além disso, Olga sentia que os bailarinos da Gulbenkian, enquanto bailarinos de repertório que eram, não estavam verdadeiramente livres para se entregarem, de corpo e alma, aos seus projectos. Podia até dar-se o caso de algum bailarino que não gostasse do seu trabalho tivesse de o fazer obrigatoriamente. Assim, a proposta de ser a nova directora artística da Companhia de Dança de Lisboa poderia ser uma solução possível para fugir à rotina em que vinha a trabalhar. Além disso, uma das suas principais preocupações sempre fora não cristalizar, estar sempre numa situação de descoberta, seja sozinha seja em grupo, com os bailarinos. Muitas vezes as modificações de uma apresentação para outra da mesma peça eram drásticas.

Quando começou a fazer o seu trabalho a solo começou a descobrir que lhe apetecia descobrir outras coisas e, sobretudo iniciou um trabalho com base na técnica de improvisação.

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