Crítica
De todos os espectáculos O Sol da Noite assinado por Massine, foi aquele que mais perturbação causou. Senão, observe-se a crítica feita por Rodrigues Alves, em A Lucta:
"O Sol da Noite é uma fantasia de manicómio, indiscutivelmente caricatural. O impenetrável simbolismo deste bailado causa espanto. Espécie de ode futurista, concebida por farsantes e dançada por malucos, esta peça de baile interessa pelo imprevisto ineditismo dos seus processos, pelo contorcionismo alvar a que obriga os seus intérpretes e pela originalidade dos seus trages. O cenário não vale nada".
A avaliar por esta crítica poder-se-ia supor que Portugal era completamente estranho a este novo tipo de ballet. Mas, isso não corresponde à realidade.
Além de Ruy Coelho, que compôs, em 1912, em Berlim, A Princesa dos Sapatos de Ferro, Almada Negreiros, em 1913, apresenta o seu primeiro projecto O Sonho das Rosas. Nesse ano, quando os Delaunay passaram em Lisboa, Almada planeou com Sónia uma série de ballets simultanéistes que nunca chegou a realizar, embora tenha sido anunciado na contra-capa do Manifesto Anti-Dantas, um Ballet Véronése et Bleu dedicado à pintora.
O entusiasmo de Almada era tanto que escreveu o manifesto, conjuntamente com José Pacheco e Ruy Coelho, com o qual os Futuristas saudaram, em 1917, a chegada dos Ballets Russes.
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