OActo da Primavera - 1962

Este filme surgiu, quando Oliveira andava por Trás-os-Montes à procura de moinhos que satisfizessem o seu imaginário para fazer um filme sobre o pão. Aconteceu que numa dessas viagens encontrou junto à estrada 3 grandes cruzes em madeira tosca. Curioso por saber a sua utilidade, depressa lhe disseram que serviam para uma festa popular, sobre a paixão de Cristo.

Oliveira neste filme mostra-nos um jogo entre a vida material, a mundaneidade de um homem que se julga imortal e um outro homem frágil, crente e submisso a Deus, que será a sua salvação. É entre este jogo carnal, espiritual que Oliveira dá um toque de sensibilidade, quando Maria Madalena beija os pés de Cristo, deixando os seus cabelos deslizarem sobre a pele dos pés. Por outro lado, é a submissão do homem a Deus e por outro, um acto de carinho, compaixão, por um homem igual aos outros que está ali a sofrer pelos outros homens.

Numa outra instância, é a transfiguração de uma festa secular, enraizada num povo, numa cultura cristã , da qual Manuel de Oliveira comunga em profundidade por ser cristão. É um elogio do realizador às pessoas daquela região. Gente virada para o cultivo da terra e para o cultivo de Deus - ser omnipotente, que tudo lhes concede e lhes tira.

É preciso não esquecer que este é o segundo filme de ficção de Oliveira e apesar de mais uma vez o público não ter correspondido a mais uma obra de Oliveira, ou por incompreensão, ou por não gostar, a verdade é que este foi sem dúvida mais um grande filme deste cineasta portuense.


Ficha Técnica

35 mm c 2500 mt 91 mn

Realização: Manoel de Oliveira

Produção: Manoel de Oliveira

Consultor Intelectual: José Régio

Consultor Religioso: José Carvalhais

Selecção de Actualidades: Paulo Rocha

Ensaiador: Abílio Rosa

As Realização: António Reis, António Soares, Domingos Carneiro

Argumento: Manoel de Oliveira

Obra Original: Auto da Paixão

Autor Original: Francisco Vaz de Guimarães

Informador: Abílio Rosa

Planif/Seq: Manoel de Oliveira

Fotografia: Manoel de Oliveira

Vestuário: Jayme Valverde

Apetrechos: Amandio Medeiros

Caracterização: (Max Factor) Amélia Chaves

Direcção de Som: Manoel de Oliveira

Op Som: (Referênciaj Maria Isabel de Oliveira, Fernando Jorge

As de Som: João Barbosa

Montagem: Manoel de Oliveira

Versão Francesa: António Lopes Ribeiro

Exteriores: Curalha

Data Rodagem: 1961/62

Lab Imagem: (Negativo) Tobis Portuguesa, (Cópias) Ulyssea Filme

Reg Som: Studios Marignan (Paris)

Distribuição: Filmes Lusomundo

Estreia: Império

Intérpretes/Personagens: Nicolau Nunes da Silva (Cristo), Ermelinda Pires (Nossa Senhora), Maria Madalena (Madalena), Amélia Chaves (Verónica), Luís de Sousa (Acusador), Francisco Luís (Pilatos), Renato Palhares (Caifás), Germano Carneiro (Judas), José Fonseca (Espião), Justiniano Alves (Herodes), João Miranda (S. Pedro), João Luís (S. João), Manuel Criado (Diabo), Povo de Curalha/Chaves. Voz do Narrador: Manoel de Oliveira.

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