Agustina Bessa-Luís

Agustina Bessa-Luís, é uma das mais consagradas escritoras da contemporaneidade portuguesa. Não é pois de estranhar que Manoel de Oliveira tenha recorrido ao seu talento para transpor livros seus para a sétima arte.

Foi em 1981, que Oliveira adaptou o livro de Agustina Bessa-Luís - Fanny Owen, para cinema. Francisca foi o nome dado ao filme feito a partir do livro desta escritora, que a partir de então tem colaborado com o realizador nos seus trabalhos.

Em 1993 adaptou um outro livro - Vale Abraão, cujo nome é o mesmo do filme, atingindo com esta obra um enorme êxito internacional. A crítica recebeu com agrado esta obra, tendo obtido com ela vários prémios internacionais. Prémios que vieram dos mais diversos locais do mundo, como o prémio do júri de CICAE (Confederação Internacional dos Cinemas de Arte e Ensaio), Cannes (1993); prémio da crítica- São Paulo (1993); Jaguar de Ouro - Cancún - México (1993), entre outros.

De um outro seu livro - As Terras do Risco, Oliveira retirou a ideia para realizar O Convento (1995). No entanto, a cooperação com Agustina Bessa-Luís é mais extensa. Já em 1982, esta autora escreveu os diálogos de Visita ou Memórias e Confissões, voltando a ser solicitada em Party (1996), para a mesma tarefa. Aliás, neste último filme os diálogos são o cerne da obra, são eles que dão vida à sucessão de "retratos" já habituais nas obras de Manoel de Oliveira.

Agustina Bessa-Luís, de seu nome completo, Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa-Luís, nasceu a 15 de Outubro de 1922 em Vila Meã, perto de Amarante. Desde muito nova que se interessou por livros, começando por ler alguns da biblioteca do avô materno - Lourenço Guedes Ferreira. Foi através destas primeiras leituras que tomou contacto com alguns dos melhores escritores franceses e ingleses, os quais lhe despertaram a arte narrativa. Aos 10 anos , apaixona-a a leitura da Bíblia, particularmente a do velho testamento. Em 1932 vai para o Porto estudar, onde passa parte da adolescência, vindo a se fixar em 1945 em Coimbra, onde publicou o seu segundo romance. Os Super-Homens (1949). Anteriormente já tinha escrito uma outra obra, intitulada , Mundo Fechado (1948), que na altura foi designada por novela, mas muitos críticos consideram ser um romance, dado o desenvolvimento dado às personagens e à própria linguagem, muito mais característica deste último estilo.

Em 1950 volta ao Porto onde fixa residência. É aqui que escreve a sua obra mais conhecida, A Síbila (1954), com a qual obteve vários prémios e lhe abriu as portas ao mundo da escrita. Contacta com vários escritores portugueses e estrangeiros, como Vergílio Ferreira, José Régio, Eugénio de Andrade, Óscar Lopes, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Sophia de Mello Bryner Andresen e Lain Entralgo, Julián Marias, Pierre Emmanuel, John Wilcock, Marie Hermina Albe, entre outros.

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