Biografia

Manuel Cândido Pinto de Oliveira nasceu no Porto, a 12 de Dezembro de 1908, no seio de uma família da burguesia industrial.

Interessou-se desde muito novo pelo cinema, graças a seu pai, que o levava a ver fitas de Charles Chaplin e Max Linder, despertando-lhe o interesse para a sétima arte. Fez os primeiros estudos no Colégio Universal, no Porto, e posteriormente, no Colégio Jesuíta de La Guardia, Galiza. Mas foi como desportista de ginástica, natação, atletismo e automobilismo, que o seu nome ganhou notoriedade.

Com vinte anos, inscreveu-se na Escola de Actores de Cinema, fundada por Rino Lupo, participando com o irmão, Casimiro de Oliveira, como figurante num filme deste realizador, Fátima Milagrosa (1928). A revista Imagem pública em 1930 fotografias suas considerando-o "um dos mais fotogénicos cinéfilos portugueses". Por esta altura comprou uma máquina Kinamo com a qual começou a filmar Douro, Faina Fluvial, com um fotógrafo amador, António Mendes. Trabalho inspirado no filme de Walter Ruttman - Berlim, Sinfonia de uma Capital (1927). A 21 de Setembro de 1931 estreia a versão muda do Douro, Faina Fluvial no V Congresso Internacional da Crítica, o qual despertou violentas reacções dos nossos críticos e elogios dos estrangeiros. Críticas que nunca mais deixaram a obra de Oliveira. Por uns a sua obra é elogiada, por outros é fortemente crítica, mas Oliveira continua a filmar. As críticas são centradas na forma como estrutura os filmes e a lentidão com que se desenrola a acção. Dá mais importância às palavras e ao conteúdo do que aos actos. A câmara raramente se move, e quando o faz são movimentos subtis para mostrar um objecto, os movimentos corporais de um actor que fala. Tudo é encenado meticulosamente para o espectador não se distrair com pormenores superflúos, agarrando-o desta forma à história deste génio do cinema.

Em 1933, volta a ser actor, desta vez na Canção de Lisboa, de Cottinelli Telmo. Passado um ano estreou a versão sonora de Douro,..., além fronteiras, que o consagrou como cineasta. Todavia, na década de 30, não passaram de projectos Bruma, Miséria, Roda, Luz, Gigantes do Douro, A Mulher que Passa, Desemprego e Prostituição.

Em 1938, o Jornal Português faz manchete: "II RAMPA DO GRADIL GANHA POR MANUEL DE OLIVEIRA, NUM CARRO EDFORD". Em 1940, casou com Maria Isabel Brandão Carvalhais. Dois anos depois realizou a sua primeira longa-metragem: Aniki-Bóbó.

Na década de quarenta não passaram do papel Hino da Paz (documentário), Saltimbancos e Clair de Lune ( conto de Guy de Maupassant). Nos anos 50, Angélica, Pedro e Inez, Vilarinho da Furna (documentário etnográfico sobre a obra de Jorge Dias), A Velha Casa, As Monstruosidades Vulgares (de José Régio), O Bairro de Xangai, De Dois Mil Não Passarás, Palco dum Povo (multifilme), O Poeta, não chegaram a ser realizados devido a falta de apoio financeiro. Assim virou-se para a produção agrícola da família, na região do Douro, ocupando-se do cultivo do Vinho do Porto. Em 1955 foi à Alemanha - Leverkussen, fazer um estágio intensivo nos laboratórios da AGFA, para estudar a cor aplicada ao cinema, que veio mais tarde (1957) a aplicar no documentário, O Pintor e a Cidade.

Os anos sessenta consagram Manoel de Oliveira no plano internacional, a partir de Itália e de França: Homenagem no Festival de Locarno em 1964 e passagem da sua obra na Cinemateca de Henri Langlois - Paris 1965.

A partir de 1971, com o O Passado e o Presente, acumularam-se os galardões e os louvores, assim como as polémicas à volta da sua obra. Este filme inaugura a fase do cinema Português conhecida como "os anos Gulbenkian", na qual a Fundação assumiu o protagonismo de apoio à produção cinematográfica nacional. O mesmo filme marca o início da sua teatrologia dos amores frustrados, da qual se incluem: Benilde ou a Virgem Mãe (1975), Amor de Perdição (1978) e Francisca (1981).

Recebe em 1980 a Medalha de Ouro pelo conjunto da sua obra, atribuída pelo CIDALC. Mais tarde em 1985 voltou a ser galardoado com o Leão de Ouro pelo seu filme, Le Soulier de Satin, no Festival de Veneza.

Data de 1987 o seu último documentário, A propósito da Bandeira Nacional, filme de arte sobre uma exposição do pintor Manuel Casimiro de Oliveira (seu filho), em Évora. Desde então tem mantido um ritmo imparável de trabalho (uma longa metragem por ano), permitido pelo estatuto que o seu prestígio alcançou junto das instituições oficiais: - as francesas especialmente, mas também as portuguesas, nomeadamente o IPACA. Entretanto, escreveu para teatro, sendo também o encenador no festival A CIDADELA DO TEATRO em Santarcongelo di Romagna - Itália.

Em 1988 apresentou Os Canibais ao Festival de Cannes. Em 1990, no mesmo evento cinematográfico exibiu extra concurso Non ou a Vã Glória de Mandar, o qual lhe valeu uma menção especial do júri oficial. Sucederam-se as homenagens, os preitos e as honrarias em Veneza (1991), La Carmo (1992), Tóquio (1993), São Francisco e Roma (1994), que lhe dão um prestígio mundial. Neste mesmo ano participou na Viagem a Lisboa de Wim Wenders.

Em 1995 a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) atribui-lhe o Prémio Carreira , inserido na comemoração do centenário do cinema. Em 1996 a Vídeoteca de Lisboa abre um ciclo intitulado "Encontros com o Cinema Novo", abordando nesse evento "Manoel de Oliveira - O Caso e a Obra"; participa com Antoine de Baecque, num livro sobre diálogos para os "Cahiers du Cinéma". A estação de televisão SIC e a revista CARAS, órgãos de comunicação portugueses, atribuem-lhe o prémio de Melhor Realizador em 1997.

Para terminar e completar este quadro sobre Manoel de Oliveira resta-nos ver um documentário autobiográfico: A Visita - Memórias e confissões, feito em 1982 mas a ser projectado unicamente após a sua morte, por desejo expresso do Autor.

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