O Passado e o Presente - 1971

A trama gira à volta de Vanda, uma jovem mulher que em vida despreza os maridos para os venerar depois da morte. Um jogo de ficção entre o real e o imaginário, o imaginário de uma personagem obcecada por um mundo que já não é mundo. Procura viver o presente com os homens que viveu no passado, com uma memória daquilo que enquanto tinha vida não fez caso.

«Quanto mais artificial, mais próximo da verdade, já que os personagens desta ultraconvencional comédia de enganos encenam, em movimento, o seu próprio vazio. A câmara de Acácio de Almeida tem a volúpia do vazio, do abstracto, parece não se fixar no real. Que fazer, de resto, de toda essa história arqui-construída, arquiartificial, senão levá-la ao extremo da própria falsidade?».*

Este filme foi premiado pela Casa da Imprensa com o prémio de Melhor Realização e Melhor Fotografia. Por seu lado a Secretaria de Estado da Informação e Turismo considerou Manuela de Freitas a melhor Actriz, pelo papel desempenhado neste filme, fazendo de "Noémia".

O Passado e o Presente para além de marcar o regresso de Oliveira que desde 1965 não apresentava nada em público, assinala por outro lado, os chamados «anos Gulbenkian». Assim, ficou conhecido o apoio que esta instituição privada concedeu ao cinema português. Neste período alguns dos melhores realizadores tiveram a oportunidade de verem os seus filmes realizados, pois quem financiava era a Gulbenkian em vez de ser o Estado como anteriormente acontecia. Por causa de um desentendimento que houve entre a instituição e o Estado a Fundação Calouste Gulbenkian deixou de fazer o mecenato ao Centro de Cinema, assumindo ela própria esse papel do Estado.

*(por Luís de Pina, in História do cinema português).


Ficha Técnica

35 mm c 3208 mt 115 mn

Realização: Manoel de Oliveira

Produção: Manoel de Oliveira, Centro Português de Cinema/CPC

As Realização: Américo Patela

Obra Original: O Passado e o presente

Autor Original: Vicente Sanches

Adaptação: Manoel de Oliveira

Diálogos: Vicente Sanches

Planif/Seq: Manoel de Oliveira

Fotografia: Acácio de Almeida

As Imagem: Mário Pereira

Maquinistas: Fernando Gomes, Vasco Sequeira

Iluminação: Oscar Cruz, Carlos e Júlio Sequeira, Carlos Pereira, Abel Alves

Decoração: Zeni d'Ovar

As Decoração: Jorge Fonseca Castelar

Cenários: (Móveis) J. M. Cardoso

Vestuário: Cravo e Canela

Caracterização: Conceição Madureira

Fot de Cena: (Reportagem) Carlos Gil

Anotação: Celeste Ferrari, Maria João Lagrifa

Música: (Sonho de Uma Noite de Verao) Felix Mendelssohn

Consultor: João Paes

Montagem: Manoel de Oliveira

As Montagem: Noémia Delgado

Estúdios: (Interiores) Castelo Branco (Palacete)

Exteriores: Lisboa Cascais

Data Rodagem: Nov 1970/Jan 1971

Lab Imagem: Ulyssea Filme, Tobis Portuguesa

Reg Som: Valentim de Carvalho

Direc Produção: Ernesto de Oliveira

As Produção: José Manuel de Oliveira

Sec Produção: Manuel Guanilho

Patrocínio: Fundação Calouste Gulbenkian

Distribuição: Filmes Lusomundo

Antestreia: - Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian

Data Antestreia: 25 Fev 1972

Estreia: Condes, Apolo 70

Data Estreia: 26 Fev 1972

Intérpretes/Personagens: Maria de Saisset (Vanda), Manuela de Freitas (Noémia), Bárbara Vieira (Angélica), Alberto Inácio (Ricardo/Daniel), Pedro Pinheiro (Firmino), António Machado (Maurício), Duarte de Almeida/João Bénard da Costa (Honório), José Martinho (Fernando), Alberto Branco (Médico), Guilhermina Pereira (Criada), Agostinho Alves (Jardineiro), Pedro Efe (Motorista), Carlos de Sousa (Padre), Cândida Lacerda (Mulher do Cemitério), António Beringela (Arreeiro).

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