José Régio

«Pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira. Nasceu em Vila do Conde, em 1901. Licenciou-se em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos, no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista Presença e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, é como poeta que primeiramente se impôs.

Com o livro de estreia - poemas de Deus e do Diabo (1925) - apresentou José Régio quase todoos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos dentre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano; o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante si mesmo. Em Biografia (1929), os vários aspectos desses temas surgem cristalizados em sonetos (alguns deles modelares) e ordenados num esforço de poemas cíclicos em suspenso. Mas, com as Encruzadilhas de Deus (1936) José Régio atinge os momentos mais altos da sua poesia torrencial e reflexiva, ao mesmo tempo lírica e dramática. Depois, intenta dissociar esses dois pólos da sua inspiração, canalizando doravante o ímpeto dramático para uma específica criação teatral e reservando então para a obra poética, em verso, os recursos de um Herismo pouco evoluído, ora moralístico, sentencioso, ora sentimentalmente estremecido, mais preso à lição dos grandes líricos do século passado do que vinculado a qualquer experiência da modernidade. E, se ainda é cedo para avaliarmos o que significou, para a evolução do teatro português, peças como Jacob e o Anjo (1940), Benilde ou a virgem Mãe (1947), El Rei Sebastião (1949); A Salvação do Mundo (1953) ou As Três em Acto (1957) - é, todavia, desde já possível assegurar que a poesia de José Régio, reduzida ao lirismo, muito perdeu de força primitiva, em livros como o Fado (1941), Mas Deus é Grande (1945) e A Chaga de Lodo (1954). Estes três livros não deixaram no entanto, de evidenciar um progressivo virtuosismo métrico e particularmente o primeiro é o último - notáveis qualidades de coragem na sátira social.».*

* in Dicionário de Literatura, campanha Editores do Minho - Barcelos, 2º volume, 1971.

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