Obra

Existem três obras que incontestavelmente pertencem a Fernão Lopes. São elas: Crónica del Rei D. Pedro; Crónica del Rei D. Fernando e a Crónica del Rei D. João de Gloriosa Memória, o Primeiro Deste Nome e dos Reis de Portugal o Décimo. Esta última crónica está dividida em duas partes: a primeira relata os acontecimentos ocorridos desde a morte de D. Fernando até à aclamação de D. João Mestre de Avis como rei de Portugal (1383/85) e a segunda que relata os acontecimentos a partir deste momento, até à consagração da paz com o reino de Castela (1385/1411). Existem ainda nestas obras, referências a outras crónicas que terão sido supostamente redigidas por Fernão Lopes, como é o caso da Crónica de D. Afonso IV, da Crónica de D. Afonso III ou de D. Sancho II e a Crónica do Conde D. Henrique.

Por outro lado, são conhecidas mais duas crónicas anónimas que se discute pertencerem ou não a Fernão Lopes. A primeira foi encontrada na Biblioteca Municipal do Porto em 1942 e é conhecida pela Crónica dos Cinco Reis pois abrange os reinados que vão de D. Afonso Henriques a D. Afonso III; a segunda foi encontrada nos arquivos da Casa Cadaval e é denominada Crónica dos Sete Reis por abranger os dois reinados seguintes, ou Crónica de Portugal de 1419, altura em que terá sido iniciada.

Existe ainda a indicação da apropriação de obras que não lhes pertenciam por parte de Rui de Pina, Duarte Galvão e Duarte Nunes de Leão, no entanto tudo é muito relativo. Dizem alguns que estas crónicas pertenceriam a Fernão Lopes fundamentando essa afirmação com as características linguísticas nelas presentes.

De referir contudo que as três crónicas de Fernão Lopes não chegaram até nós no texto original, assinado pelo cronista, mas antes cópias realizadas nos inícios do século XVI por ordem de D. Manuel I.

Além do valor literário destes textos, Maria Ema Tarracha Ferreira chama a atenção para o facto das crónicas exprimirem, como nenhumas outras, o sentimento nacional e o amor pela Pátria.

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