Paixão
Sendo um dos melhores alunos de Direito do seu tempo, Afonso Costa não aproveitou esse facto para conseguir um lugar confortável no aparelho monárquico. Antes pelo contrário, desde muito cedo revelou a sua paixão pelos ideais republicanos.
Era um conservador. Dava muita atenção à forma de vestir, às boas maneiras, ao trato. O seu comportamento de novo-rico enquadravam-no perfeitamento no modelo de mentalidade burguesa. Muitos eram de opinião que ele era o homem certo para redimensionar a política republicana e afastar a instabilidade causada pela actividade da Carbonária e dos Sindicatos. Estes últimos sofreram uma perseguição implacável de Afonso Costa, enquanto que a Carbonária o apoiou e lhe garantiu uma aliança nas acções de rua. Com as vicissitudes decorrentes do exercício de poder, Afonso Costa foi-se afastando dos seus objectivos e a Carbonária começou a hostilizá-lo.
Em si fervia uma paixão desmesurada pelo republicanismo. Não teve qualquer complacência em hostilizar as associações patronais burguesas revelando muitas vezes ser um simpatizante dos ideais socialistas, o que explica a protecção dada ao Partido Socialista. Afonso Costa era influenciado pelos ideais maçónicos e anti-clericais. Apesar da enorme influência que a Igreja tinha em Portugal, não teve qualquer hesitação em colocar em prática a Lei da Separação da Igreja do Estado na qual viria a nacionalizar os bens desta. Afonso Costa nunca abandonou os seus ideais de juventude e por isso ficou para a História como um dos políticos mais radicais da I República que defenderam sempre o republicanismo genuíno e popular.
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