Nação

A Mensagem é uma obra saudosista, na medida em que recorda tempos áureos nada concertantes com o cenário pessimista do Portugal do início do século XX, uma república jovem, muito pouco consolidada, na qual grassava a confusão e a luta pelo poder. Saudosista, condenadora do momento presente, mas ao mesmo tempo virada para o futuro.

Pessoa sonha com uma pátria à imagem dos valores que D. Sebastião simboliza: heroicidade, fidelidade à nação, coragem, bravura. Mas tudo isso não passa do sonho e este perde-se tragicamente no nevoeiro, o mesmo nevoeiro do qual fala a lenda de D. Sebastião. Em «Nevoeiro», o último poema de Mensagem, está bem patente essa ideia de um país perdido, ele próprio, no nevoeiro. «Nem rei, nem lei, nem paz, nem guerra/ define com perfil o ser/ este fulgor baço da terra/ Que é Portugal a entristecer - Brilho sem luz e sem arder, como o que o fogo-fátuo o encerra./ Ninguém sabe que coisa quer. / Ninguém conhece que alma tem,/ Nem o que é mal, nem o que é bem. / (Que ânsia distante perto chora?)/ Tudo é incerto e derradeiro. / Tudo é disperso, nada é inteiro / Ó Portugal, hoje és nevoeiro... / É a hora!»

Sem dúvida, uma visão desiludida, mas realista de alguém que, tendo focado, numa obra inteira, as grandezas de um povo, reconhece, derrotado, como tudo isso é passado, contrastando com um presente bem mais negro. Mas o poeta recusa-se a aceitar esse facto como um consumado. E, lá mesmo no final, incita: «É a hora!». Refira-se, a propósito, que embora só tendo sido publicada em 1934, a Mensagem foi escrita na década de 10, mais especificamente na altura que antecedeu à ditadura de Sidónio Pais, que se baseou num ataque ao clima anárquico vivido nos primeiros anos da I República. Foi uma reacção que gerou algumas esperanças e aqui pode estar uma delas.

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