Nota Histórica

D. Sebastião, neto de D.João III, nasceu em Lisboa, em 20 de Janeiro de 1554. Foi rei de Portugal a partir de 1568, ano em que atingiu a maioridade legal, até 1578, quando desapareceu, numa manhã de nevoeiro, na batalha de Alcácer Quibir.

Não chegou a conhecer o seu pai, o príncipe D.João, que morreu 18 dias antes do seu nascimento.

Após o desaparecimento de D. Sebastião a disputa pela sucessão revelou-se problemática: a união dinástica com Espanha estava eminente, dado que Filipe II de Espanha era neto de D. Manuel e pretendente em linha directa do trono de Portugal. Se a união interessava às classes privilegiadas, não era aprovada pelo povo, que, por tradição, se opunha a tudo o que era castelhano.

Assim, se explica o porquê da figura de D. Sebastião constituir um autêntico estandarte da portugalidade

D. Sebastião deu prioridade às conquistas africanas. Aliás, tal facto acabará por lhe ser fatal para a sua própria vida, visto que foi em África, na já referida praça de Alcácer Quibir, que morreu. «Senhor da sua vontade, não encontrou quem soubesse evitar a sua ida a Marrocos em 1578. A sua valentia física e a preparação militar pessoal não lhe deram qualidades de comando em campo, de que precisava. Por isso se ficou na jornada de África» (MATTOSO, José (dir.), História de Portugal, 6 vols.. Lisboa, Círculo de Leitores, vol. III, p. 540).

Um tão grande empenhamento do detentor do trono na empresa africana deveu-se ao combate por ele encetado contra os inimigos da fé, que tinham recuperado uma parte das praças-fortes do Norte de África, demonstrando o instinto belicoso de D. Sebastião.

O fantasma do perigo espanhol, durante o período em análise (últimas décadas do século XVI), nunca deixou de estar presente. Na verdade, D. Sebastião não deixou sucessor, nem casou, apesar de alguns cenários se terem levantado: uma filha do imperador alemão, uma nobre francesa, uma castelhana da família dos Áustrias...

A viragem para o norte de África fez emergir várias resistências, nomeadamente de Filipe II de Espanha, que, porém, não fizeram demover o rei. O seu interesse por esse desígnio levou-o a ir, ele próprio, lutar pelo sucesso da empresa marroquina. O pequeno número de combatentes, a carência de meios e de bons comandos acabaram por levar à derrota dos portugueses e à morte em combate de D. Sebastião.

Seguir-se-á um curto período de regência do cardeal D. Henrique, que durará de 28 de Agosto de 1578 até à data da sua morte, em 31 de Janeiro de 1580. Depois, veio o tão temido domínio espanhol. Portugal perdeu a sua independência. Órfão e incrédulo, o povo criou a lenda sebastianista. Ainda apareceram meia dúzia de farsantes garantindo a pés juntos que eram D. Sebastião...

«D. Sebastião, na sua infelicidade pessoal, não era mais do que o acidente dinástico que a família conscientemente fora preparando. Esta junção das coroas peninsulares poderia ter acontecido antes. Veio a ser desencadeada de um modo dramático, pela imprudência de um jovem que ninguém soube deter» (MATTOSO, José, (dir) História de Portugal, 6 vols.. Lisboa, Círculo de Leitores, vol. III, p.546).

Filipe II de Espanha tornou-se por direito Filipe I de Portugal. A monarquia dualista resultou em domínio espanhol e durou 60 anos, até à revolução de 1 de Dezembro de 1640.

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