O Geógrafo

Gago Coutinho considerava-se "geógrafo colonial", pois durante vintes anos prestou serviço nas províncias ultramarinas portuguesas, vivendo no mato ao ar livre e dormindo em tendas de campanha. durante este anos delimitou mais de dois mil quilómetros de fronteira e efectuou trabalhos de triangulação em superfícies superiores a oitocentos quilómetros quadrados. Consta, inclusivamente, que chegou a atravessar duas vezes áfrica, sendo que só na missão de Barotze andou cinco mil e duzentos quilómetros quadrados.

Iinicia o trabalho de cartografia colonial em 1998 com as missões em Timor, Moçambique, Angola, Índia e São Tomé. Contudo, o seu trabalho por terras quentes foi muito mais extensivo:

1900 – foi nomeado por Portugal para a delimitação da fronteira luso-britânica nos territórios de Niasa;

1901 – como comissário de Portugal fez parte da comissão de delimitação da fronteira luso-belga de Noqui ao Cuango;

1904 – dirigia a delimitação das fronteiras ao norte e sul de Tete;

1906 – chefiando a missão geodésica na África Oriental, iniciou o levantamento da carta desta colónia, fazendo a sua ligação geodésica com a da África do Sul.

De 1913 a 1914 Gago Coutinho comandou a já citada missão de delimitação da fronteira Angola com a Rodésia, surgindo nesta ocasião como seu colaborador o segundo-tenente arthur de Sacadura Cabral a quem o almirante chamava «observador de fina vista».

Um dos seus últimos mas não menos notável trabalho consistiu na triangulação da ilha de S. Tomé (1916-1918), da qual veio a resultar o conhecimento aproximado dos pontos segundo os quais o equador, geodésico ou absoluto, cortava a ilha. tratou-se de um trabalho que custou ao afamado geógrafo 14 meses de operações de campo, e mais dois meses de trabalho de gabinete. Em honra ao seu empenho a comissão de colonos ergueu, no ilhéu das rolas, o padrão de Gago Coutinho. Deste modo, o ilhéu passou a ser denominado com o nome do almirante e o canal que separa a ilha de s. tomé recebeu a designação de canal de Sacadura Cabral, em homenagem ao mesmo.

A sua metodologia de investigação nestes trabalhos, para além de primar pelo uso de material adequado, sustentava-se, muitas vezes, em cálculos de astronomia, levando as determinações de longitude a serem feitas por meio da lua e do cabo submarino, tal como afirma o almirante numa comunicação à Academia de Ciências de Portugal, na qual estava associado.

A competência do geógrafo levou à sua nomeação pelo Ministério da Guerra, em 1928, a presidente da Comissão, para propor a reorganização dos serviços geográficos, cadastrais e cartográficos. neste mesmo ano passou igualmente a vogal da comissão encarregada de estudar o estabelecimento de um aeroporto nos Açores, e a navegação aérea nas colónias. os seus trabalhos saíram do horizonte português, pois ainda em 1928 foi encarregado pelo Ministério das Colónias a proceder a estudos cartográficos em França, Itália, a estudar no Brasil a documentação cartográfica importante para a nossa História.

Desempenhou ainda as funções de Presidente da Comissão de Cartografia, concorrendo eficazmente para a criação da missão geográfica de Moçambique e para a solução definitiva da fronteira luso-belga na região do Dilolo. Destaca-se a sua participação como associado do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, da Sociedade de Geografia de Lisboa e da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro.

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