O Sextante

O Sextante Português, foi criado com o objectivo de aplicar ao serviço aéreo os instrumentos e processos utilizados pelos navios, tornando-se possível a um avião o conhecimento da sua longitude e latitude através da altura do sol ou das estrelas. Era, todavia, igualmente necessário adaptar ao ar o processo de cálculo das referidas coordenadas, tornando-o rápido e automático, o que passou por um estudo de simplificação dos processos de cálculo náutico levado a cabo por Gago Coutinho e Sacadura Cabral.

Para a utilização no ar deste instrumento portátil, onde raramente se distingue a linha do horizonte, foi-lhe adaptado um nível especial, o qual, respeitando os princípios de Newton, substituiu a linha do horizonte utilizada pelos navios para lhes dar a vertical. Neste contexto, respeitava-se o princípio fundamental do sextante que consiste em, mediante a sua movimentação com a mão, fazer coincidir no campo do óculo, as imagens do astro, pelo que a nova curvatura de nível (nível de bolha de raio especial) obedecia a um raio pré-determinado. Esta foi, sem dúvida, a grande novidade introduzida pelo Almirante Gago Coutinho.

Para além destas inovações, o sextante modificado por Gago Coutinho, que ele modestamente designava de «Astrolábio de Precisão», contava ainda com a introdução completa de iluminação eléctrica e de um óculo especial que focava simultaneamente o astro e a bolha de nível. Podemos ainda acrescentar à sua plêiade de inovações a adopção ao uso da mão esquerda, permitindo que a direita ficasse livre para o registo das horas do cronómetro e das alturas lidas no Astro (bolha). Estes princípios de vanguarda foram depois adoptados a todos os sextantes, tanto para uso aéreo como para uso marítimo ( quando é noite ou se verifica neblina), verificando-se a sua expansão internacionalmente. No entanto, o sextante só se tornou conhecido e triunfou como instrumento preciso e necessário, após o sucesso obtido com a sua utilização na viagem Lisboa – Rio de Janeiro.

Note-se que este aparelho resolveu muitos dos problemas (se não todos) da Navegação Aérea e/ou Navegação Marítima, sendo este sextante ainda hoje utilizado, muitas vezes, para comprovar os meios modernos e mais expeditos de grande precisão em navegação.

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