Obras de Gago Coutinho

Para além das suas restantes actividades Gago Coutinho foi igualmente um exímio escritor, legando–nos uma volumosa produção escrita, dispersa por um grande número de publicações periódicas e simples opúsculos, excedendo quatro centenas os artigos de sua autoria. Embora a sua personalidade e obra tenham sido objecto de apreciável quantidade de estudos, aquilo que escreveu é, sem dúvida, capital para o seu real conhecimento, pois contém uma série notável de ensinamentos em vários domínios.

Observamos, assim, que as obras do almirante se distribuem em quatro matérias principais:

- Sobre a marinha, sobretudo entre 1893-1903

- Acerca de trabalhos geográficos realizados no Ultramar, sobretudo entre 1903-1920

- Sobre navegação aérea, entre 1919-1927

- Em relação à História da Náutica e dos Descobrimentos, entre 1925-1958

Um dos seus primeiros temas estudados, e que afirmava conhecer melhor, incidiu na questão da agulha magnética, utilizada para orientação dos navios, de que são exemplo artigos como «Atracção local e as agulhas magnéticas»; «A agulha magnética na Marinha Portuguesa». Neste contexto estudou os desvios produzidos na agulha, aquando de trovoada, procurando outras origens e propondo maneiras de as remediar. Defendia que um estudo desta temática seria relevante em Portugal, devido ao facto de maior parte da nossa navegação ser em ferro. Ainda no contexto da navegação marítima Portuguesa, o almirante dedica-se a um dos seus temas predilectos, ou seja, a análise de tipos e classes de navios, com vista a encontrar os mais apropriados para o caso Português.

Preocupando-se de igual modo com os problemas das comunicações entre o mar e a terra, escreveu sobre telegrafia sem fio , advogando que se montassem estações na costa de Portugal, de modo a salvaguardar a segurança das embarcações.

Quanto a estudos de vertente geográfica, o seu mais antigo arquivo consta de uma observação de precisão com o sextante ( em estudos de latitude no paralelo de Noqui) , onde defende a utilização deste instrumento em operações em terra. Outro curioso trabalho, inserido na missão geodésica de África Oriental, expõe como se conseguiu alcançar pontos próprios para estações geodésicas por meios análogos àqueles que se utilizam na navegação. As suas diversas missões geodésicas permitiram, ainda, que nos deixasse um espólio de primorosos relatórios, como é exemplo um dos seus últimos trabalhos como geógrafo, aquando da missão em São Tomé. Este primoroso relatório foi considerado pelos seus superiores como o primeiro trabalho de geodésia completo, referente a uma das nossas colónias, sendo igualmente recomendada a sua impressão e distribuição pelos estabelecimentos científicos nacionais e estrangeiros.

Em meados de 1919, Gago Coutinho terminava os trabalhos relativos às missões geodésicas, visto que o seu espírito engenhoso já se ocupava de explorar os progressos dos métodos da navegação aérea. Desta inclinação, vieram a resultar artigos como «Novo Sextante com horizonte artificial», que, pela inovação que expunha, degenerou em várias críticas e artigos de jornais famosos como «O Século». Neste seguimento surgiram ainda artigos como «Navegador Aéreo» e «Algumas considerações sobre navegação astronómica aérea» que incidem sobre a defesa da utilização de instrumentos de excelente qualidade e precisão, dos quais faz sobressair o sextante.

Esta esmagadora importância dos escritos do almirante Gago Coutinho, levou já, a importantíssimas compilações dos seus trabalhos, como é o caso de Obras Completas editadas a propósito do centenário do seu nascimento, que esteve a cargo da Junta de Investigação do Ultramar (cujo primeiro presidente foi o próprio almirante), juntamente com a Academia de Ciências de Lisboa.

OBRAS PUBLICADAS:

Algumas determinações de longitude feitas ultimamente em África pela missão da fronteiro do Barotze, 1915

As determinações de latitude pela missão da fronteira Barotze, 1915

Impressões de duas viagens através de África entre Angola e Moçambique, 1915

Relatório da missão geodésica de São Tomé. 1920

Relatório da viagem aérea Lisboa-Rio de Janeiro, 1923 (de colaboração de Sacadura Cabral)

Tentativa de interpretação simples da teoria da relatividade restrita, 1926

O roteiro da viagem de Vasco da Gama e a sua versão nos Lusíadas, 1930

Desdobramento da derrota de Vasco da Gama nos Lusíadas, 1931

Possibilidade da rota única de Vasco da Gama em Os Lusíadas. Impossibilidade de Vasco da Gama ter de Cabo Verde navegado para o Sul, 1931

Pela Segunda vez, possibilidade de ler em Os Lusíadas uma rota única de Vasco da Gama, 1933

Gaspar Côrte-Real, 1933

Alguns erros em que se apoiou o desdobramento da rota de Vasco da Gama em Os Lusíadas, 1933

Continuação dos erros em que se apoiou o desdobramento da rota de Vasco da Gama em Os Lusíadas, 1934

Passagem do Cabo Bojador, 1935

Influência que as primitivas viagens portuguesas à América do Norte tiveram sobre o descobrimento das Terras de Santa Cruz, 1937

O almirante foi também colaborador da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

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