Sacadura Cabral
De seu nome Arthur de Sacadura Freire Cabral, nasceu a 23 de Abril de 1881, em Celorico da Beira. Filho de Dr. Arthur F. Corte Real de Cabral Albuquerque e de D. Maria Augusta Sacadura Cabral, assentou praça a 10 de Novembro de 1897 como aspirante da marinha e frequentou a Escola Naval, sendo o primeiro classificado entre os 35 camaradas do seu curso. Foi promovido, a 27 de Abril de 1905, a segundo-tenente; a 30 de Setembro de 1911, a primeiro-tenente; a 25 de abril de 1918, a capitão-tenente e, por distinção, a capitão de fragata em 1922.
Terminado o seu curso, seguiu em 1901 para a Divisão Naval, logo se notabilizando como militar, observador e comandante. Andou embarcado na Costa de Moçambique durante alguns anos, familiarizando-se com o serviço do mar.
Em 1905, foi um dos oficiais escolhidos para colaborar em trabalhos hidrográficos deliberados pelo Governo, revelando-se um trabalhador incansável e um observador de incrível precisão. Fez uma excelente carta hidrográfica do Rio Espírito Santo e de trechos de rios que nele desaguam, em colaboração com o seu camarada guarda-marinha Bon de Sousa.
Entre 1906 e 1907, ainda em Moçambique, trabalhou como topógrafo na rectificação da fronteira entre o Transval e Lourenço Marques. Em 1907 chegou a Moçambique uma missão geodésica de que era chefe Gago Coutinho. Foi este encontro que originou a ligação sólida que se veio a estabelecer entre os dois. Trabalharam juntos em missões geodésicas e geográficas de 1907 a 1910. Durante este tempo demonstrou as suas grandes capacidades e aptidões como geógrafo, astrónomo e organizador. Era sempre escolhido para os trabalhos de maior precisão, pois possuía método e vista apurada. Em 1910, terminada a missão, podia ser considerado um engenheiro geógrafo completo. Teve, então, ocasião de brilhar com os seus conhecimentos de geografia em várias missões. Regressou à Metrópole por volta de 1915 e concorreu à Aviação.
O Ministério de Guerra abriu um concurso em 1915 para que os oficiais do Exército e da Marinha fossem enviados a escolas estrangeiras de Aviação para obterem o seu brevet de pilotos- aviadores militares. Sacadura concorre e vai para França, entrando na Escola de Aviação Militar de Chartres. A 11 de Novembro do mesmo ano realizou o seu primeiro voo como passageiro e a 16 de Janeiro de 1916 pilotou pela primeira vez sozinho. Em Março prestou provas e foi admitido como piloto-aviador militar em avião tipo "Maurice Farmar". Ainda em França, foi para a Escola de Aviação Marítima de St. Raphael e especializou-se em hidroaviões.
Regressou e foi incorporado como instrutor de pilotagem e Director de Instrução na primeira Escola Militar de Aeronáutica em Vila Nova da Rainha, onde pilotou vários tipos de aviões. Continuou a cooperar com o Governo e a cumprir missões. É nomeado director dos Serviços de Aeronáutica Naval em 1918, e, exonerado do cargo, passa a ser Comandante da Esquadrilha Aérea da Base Naval de Lisboa.
Em 1918 considerou a viabilidade da viagem aérea entre Portugal e o Brasil, para estreitar as relações entre os dois países e ao mesmo tempo salientar a importância de Lisboa como elo de ligação entre a Europa e as Américas, prevendo o desenvolvimento da aviação comercial. Foi nomeado para proceder aos estudos necessários para a sua efectivação (Portaria de 6 de Junho de 1919), pelo que foi enviado para França e Inglaterra.
Além de colaborar com Gago Coutinho na simplificação dos «processos de cálculo náutico», estudou um dispositivo que permitia automatizar tanto a determinação da direcção e a força do tempo, como a direcção do rumo e o estudo da viagem aérea, e que ficou conhecido por Corrector de Rumos Coutinho-Sacadura, apresentando-o ao Congresso de Navegação Aérea realizado em 1921.
Na companhia de Gago Coutinho e Ortins de Bettencourt, fez a ligação Lisboa –
Funchal em 1921, para experiência dos métodos e instrumentos por ele e Coutinho
criados para a navegação aérea, que iriam ser comprovados, em 1922, durante a
I Travessia Aérea do Atlântico Sul.
No ano seguinte, elaborou um projecto de viagem aérea de circum-navegação, que
não conseguiu realizar por falta de meios.
Em 1924, mais precisamente a 15 de Novembro, quando pilotava o FOKKER 4146 de Amsterdão para Lisboa, desaparece no Mar do Norte, local onde irá ficar sepultado para sempre este grande português.
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