A Vida (1777-1782)
A decadência do Marquês de Pombal teve inicío com a doença de D.José I, agravando-se com a morte do monarca a 24 de Fevereiro de 1777.
Se, por um lado, o Marquês era odiado pelo povo, por outro, era também considerado o homem de confiança do rei, que lhe dava cobertura em todas as suas acções - "O Rei que Deus levou, tudo te concedia / Porque supunha em ti tudo acertado (...)" (BNL, Cód.4550, p.296). Segundo alguns testemunhos, o Conde de Oeiras abusava da protecção que lhe era confiada pelo rei e, com o pretexto de se encontrar em serviço, era, por vezes, falso, infiel, inconfidente e tirano. Apesar disso, é sabido que, na época, vigoravam um sistema, uma ideologia e instrumentos executivos muito poderosos. Não se pode, por isso, acusar o Marquês de Pombal de ser o único responsável pelos actos do seu governo, dado que ele não se encontrava desprovido de apoio.
Com o falecimento do soberano, sobe ao trono D.Maria I, filha de D.José I, sendo esta mudança de regime denominada de «viradeira». Após esta ascensão, Carvalho e Melo é afastado do Paço Real pelo povo enfurecido. A rainha também não simpatizava com o Marquês, devido às atitudes que este tinha tomado durante os dois anos em que governara Portugal. Foi perante esta situação que o povo pediu a D. Maria I a «cabeça do Ministro». Esta viu-se, aliás, confrontada com uma compulsiva ira popular dirigida contra Carvalho e Melo. Pouco tempo depois, começam a surgir provas das prepotências (fraudes, abusos, crimes, acusações várias, dívidas) do Marquês de Pombal, que é chamado a responder ao célebre Processo de Mendanha. Defende-se, então, astutamente, declarando que o rei seria o único responsável pelas denúncias de que o acusavam. Na expectativa de que estas declarações se modificassem, o interrogatório ao ex-ministro prolongou-se por quatro meses - de Outubro de 1779 a Janeiro de 1780 -, mas o esforço foi em vão, visto que o depoimento nunca chegou a ser alterado pelo acusado. A rainha, que se encontrava num enorme dilema (por um lado, o povo, os fidalgos e os padres desejavam a vingança, por outro, pesava-lhe a memória de seu pai, que muito tivera em conta o acusado), acabou por ordenar uma sindicância que ilibasse Carvalho e Melo da responsabilidade, ou mesmo co-responsabilidade das acusações que lhe eram movidas e, tendo em conta a sua idade já avançada (80 anos), condenou-o apenas simbolicamente a permanecer fora da corte na distância de vinte léguas. O Marquês instala-se, então, em Pombal, onde, a 8 de Maio de 1782*, acaba por morrer vítima de prolongada e grave doença.
* Na bibliografia pesquisada, observámos que existe uma imprecisão em definir a data de falecimento de Sebastião José de Carvalho e Melo. Uma outra obra indica Agosto de 1782.
"Aqui Jaz.
Sebastião José de Carvalho e Mello
Marquez de Pombal.
Ministro e Secretário de Estado.
De Dom José Primeiro.
Rey de Portugal.
Que Reedificou Lisboa.
Animou a Agricultura.
Estabeleceo as Fabricas.
Restituiu as Sciencias.
Reprimiu o Vicio.
Premiou a Virtude.
Desmascarou a Hypocrisia.
Desterrou o Fanatismo.
Regulou o Erario Regio.
Respeitou a Autoridade Soberana.
Cheio de Gloria.
Coroado de Louro.
Opprimido pela Calumnia.
Louvado pelas Nações Estrangeiras.
Como Richelieu.
Sublime nos Projectos.
Igual a Sully.
Na Vida e na Morte.
Grande na Prosperidade.
Superior na Adversidade.
Como Filosofo.
Como Heroe.
Como Christão.
Passou-se para a Eternidade.
Aos 83 annos da sua Edade.
Em 27 de sua Administração.
Anno de 1782."
(ARANHA, Brito, O Marquez de Pombal e o seu centenário, Imprensa Nacional, Lisboa, 1908, p.4.)
[ CITI ]