O Brasil: a riqueza de Portugal
Desde o séc.XVII a 1822, o Brasil constituiu o elemento basilar da economia do Império Português. Foi o Brasil que, em 1640, contribuiu para a separação de Portugal relativamente à Espanha, fornecendo ao nosso país os meios necessários para a sua independência. Estava, assim, garantida uma época de prosperidade ao longo do séc. XVIII e restituído a Portugal o respeito das nações europeias civilizadas.
A colónia era um elemento base da economia portuguesa, devido à riqueza dos produtos brasileiros, que eram abundantes e de boa qualidade. A expansão do Brasil para o interior, com a anexação de territórios e a habitação dos mesmos, aumentou ainda mais a riqueza brasileira, visto haver também cada vez mais mão-de-obra para nela trabalhar.
É no século XVII que, finalmente, é encontrado ouro no Brasil por exploradores paulistas. Rapidamente se espalha a notícia da existência de grandes minas de ouro, esmeraldas e outras pedras preciosas nessa região. Até 1720, o ouro no Brasil surgia com regularidade. Das minas mais importantes destacam-se as de Minas Gerais, Góias, Mato Grosso e as da Baía. Repentinamente, todo o Brasil é invadido por estrangeiros que, delirando com a «corrida ao ouro», abandonam as suas terras de origem movidos pelo desejo de encontrar ouro e fazer riqueza. Esta «febre do ouro» desencadeou inúmeros conflitos e provocou algumas mortes. O certo é que tinham sido os brasileiros, mais especificamente os paulistas, a encontrar, depois de muito esforço, toda essa riqueza, começando, agora, a sentir-se ameaçados com a sua possível perda. Revoltados, os paulistas acabam por ver-se envolvidos na origem de alguns conflitos. Aproveitando este clima de divergências, a Coroa estabelece um controle estritamente rigoroso sobre as minas e a sua exploração, mas, mesmo assim, grandes quantidades de ouro continuam a desaparecer no contrabando efectuado.
Entre os anos de 1720 e 1725, as quantidades de ouro cresceram significativamente. Contudo, a partir de 1770 / 1780, começaram a baixar bastante. A pouco e pouco, as jazigas foram-se esgotando.
O sistema tributário adoptado nos jazigos consistia no pagamento de um quinto de todos os minérios à Coroa. O contrabando era, pois, o problema dominante, aumentando de dia para dia, o que dificultava o seu controlo. Porém, apesar deste obstáculo, ainda se confiscavam grandes quantidades de metal. Em 1713, o governador geral tentou estabelecer fundições régias para impedir que o ouro em pó circulasse e fosse facilmente isentado dos direitos régios. Em desacordo com esta medida, o povo mineiro reage negativamente. Acaba, no entanto, por se chegar a um acordo: a Coroa, passaria, anualmente, a receber a soma fixa de 30 arrobas de ouro (mais tarde reduzidas para 25 e depois aumentadas para 37). Passados alguns anos, já em 1735, assiste-se à criação de um novo sistema tributário. Cada mineiro com idade igual ou superior a 14 anos ficava obrigado a pagar um imposto anual de 17 gramas de ouro.
O ouro aqui encontrado revestia-se de uma enorme importância, dado que tinha, como destino, a Inglaterra, onde serviria de pagamento para os cereais e tecidos que Portugal importava.
Ao longo deste período, o comércio de diamantes assumiu, também, um especial relevo.
O açúcar foi outro dos produtos que mais contribuíram para a riqueza da colónia brasileira. Em 1670, imprimiu um forte estímulo ao mercado, mas, algum tempo depois, devido à enorme concorrência que se fazia sentir por parte das Índias Ocidentais, a sua produção decresceu.
Foram, progressivamente, surgindo outros produtos, de importância considerável, como é o caso do tabaco (depois de 1650), do cacau (após 1750), do algodão (depois de 1780), do trigo e do arroz (por volta de 1781) e da criação de gado bovino (que estimulou o comércio da pele e do couro nos finais de setecentos) e de cavalos.
No séc. XVII, deu-se no Brasil um surto demográfico, em que se registou um extraordinário crescimento da população, que aumentou cerca de dez vezes mais, em consequência da notícia reveladora da existência de ouro e de outras riquezas no Brasil. O número de escravos aumentou também consideravelmente, o que estimulou o seu comércio. Os escravos foram muito importantes para a supremacia económica brasileira, visto que, aliados à riqueza colonial, constituíam mão-de-obra barata e abundante, exploradora dos recursos potenciais aí existentes.
Após a análise destes factos, torna-se fácil perceber o quanto o Brasil foi importante para o comércio português. Era, de facto, a colónia brasileira que fornecia os instrumentos necessários para a expansão do mercado nacional, suportando economicamente a maioria das importações feitas por Portugal.
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