Actividade literária de Jorge de Sena

Poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e tradutor, o seu contributo para a literatura moderna é incontornável.

Dotado de um talento indiscutível para sair do real e, ao mesmo tempo, levar-nos a constatar, amargamente, o seu lado mais humano, foi alguém que não aceitou colaborar com os conformismos existentes na literatura portuguesa da época, facto que tem muito a ver com a sua geração de escritores, que, segundo ele " desejava muitíssimo e apesar da nossa dívida à presença e à aclamação feita pelos presencistas, da gente de Orpheu, saltar sobre a Presença para renovar um contacto directo com essa tradição e começar de novo, em termos contemporâneos nossos, o movimento modernista" ( in: Fernando Pessoa e cª heterónima vol. II, p. 184).

No fundo o que ele procurava era uma maneira mais objectiva de nos dar o seu sentimento, objectivo esse que atingiu mais plenamente na poesia. A aliança entre o drama e o sarcasmo é a nuance essencial da sua obra, embora o último seja muitas vezes confundido com azedume ou arrogância. Não é mais do que uma forma dele exprimir a sua emoção, porque Jorge de Sena não sabia fazer nada " nem sequer dar uma aula, sem apaixonada emoção" ( palavras do próprio in: Expresso, 20 de Março de 1982). E é talvez por isso que todo o seu trabalho reflecte uma luta espiritual. Em tudo o que escreveu a palavra assume um poder que, aliado a uma sensibilidade invulgar, fazem dele uma personalidade à parte na literatura moderna portuguesa.

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