Cesário Verde

"Talvez seja Cesário o meu poeta preferido. Estimo muito o Cesário. Tem o contacto com o mundo concreto, com as coisas vivas que definem um ambiente e uma sociedade. Gostava de o Ter conhecido pessoalmente"

VASCONCELOS, José Carlos, in Jornal de Letras, Lisboa, 14 de Março, 1989.

"De Linda-a-Pastora a Lisboa, Cesário Verde é o poeta que intriga o leitor pelo realismo poético e pelo simbolismo da realidade que nos circunda e que reluz, "num almoço", como as porcelanas do seu "Bairro Moderno".

A natureza, ávida mas "honesta", "salutar" e sempre jovem, aparece-nos pintada nos seus poemas como nas evocações da pintura em geral ("pinto quadros por letras, por sinais"). Cesário não é o simples parnasiano imparcial e impassível, mas o adolescente-adulto que vê com olhos de artista e transfigura, pela imaginação, a paisagem física do campo e da cidade e a paisagem humana da sociedade do seu tempo.

Nascido a 25 de Fevereiro de 1855, e morrendo apenas com 31 anos de idade, merece que se diga da sua obra como Vergílio Ferreira [em "Relendo Cesário", in Colóquio/Letras, nº31]:

Não se convive facilmente com a poesia de Cesário—admira-se da fora como um jogo perfeito de rigorismo e destreza. Atingindo-nos o cérebro não como um jogo perfeito de rigorismo e destreza. Atingindo-nos o cérebro não como o criador que joga na inteligência (ao modo de um Camões ou dum Pessoa) e impões assim a ideia que permanece em nós e nos obriga a resolvê-la em intérmina reflexão emotiva, a poesia de Cesário é feita de superfícies lisas, "polida" (que é um vocábulo do seu gosto), em que as formas se entrelaçam em hábil conjunção, mas a cujo contacto não há tempo de se engendrar o calor humano. Os poemas de Cesário admiram-se mas não se amam."

MOREIRA, Vasco; PIMENTA, Hilário, Encontro Literário, Porto, Porto Editora, 1994, 70p.

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