A Ciência como profissão

Não estou arrependido, foi uma escolha muito acertada.

Rómulo de Carvalho dedicou toda a sua vida à Ciência e à Literatura, dois campos, tal como nunca se cansou de afirmar, tão diferentes como complementares. Dado isto, na altura de optar pelo caminho a seguir na Universidade, a escolha revelou-se difícil e assentou, principalmente, em motivos essencialmente pragmáticos, tão condizentes com a sua personalidade.

O campo das letras nunca se afirmou pela estabilidade financeira proprocionada e Rómulo de Carvalho, embora não orientasse a sua escolha pelos potenciais ganhos monetários que daí pudessem provir, procurava alguma segurança. Além do mais, um homem das ciências podia sempre dedicar-se à sua poesia, ao passo que a situação inversa seria muito difícil de acontecer.

Decidiu-se pela licenciatura em ciências fisico-químicas. A partir daqui dedicou-se à reflexão sobre temas científicos como actividade paralela ao ensino, a profissão escolhida—pela sua utilidade e pela comunicabilidade exigida e proporcionada:

Fiz a minha escolha [ de ser professor] , depois de ter lutado muito comigo. Uma luta difícil, principalmente por causa da família, que procurava que eu me decidisse por outros caminhos, de modo a tirar mais lucros e segurança. Mas, ainda estudante da faculdade, comecei a dar umas explicações para ganhar alguma coisa. E, através delas, descobri o sentido da comunição e de utilidade para os outros. De modo que, a certa altura, pus tudo de parte, e fui para o ensino. Nunca me arrependi.

NUNES, Maria Leonor, "O físico prodigioso", in Jornal de Letras, Lisboa, nº680, 6 a 19 de Novembro, 1996, pp.15-17.

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