Mãe

"Diário de Notícias - Fala frequentemente da sua mãe. Um referencial?

Rómulo de Carvalho - Uma pessoa cujas qualidades apreciei muito e que, sem me orientar concretamente, me orientou. Acho-me muito parecido com ela.

DN - A presença feminina foi muito marcante na sua formação?

R.C. - Fundamental, a da minha mãe. (…) Devo-lhe muito e estou-lhe muito agradecido."

In Jornal Diário de Notícias, Lisboa, nº 46006, Ano 131, 9 de Março, 1995


"(…) A minha Mãe tem para mim um significado muito especial, não é por dever, é porque … Há um poema chamado «Mãezinha» em que coloco a situação num plano puramente probabilístico: meu pai pela rua, uma eliminação acidental de pessoas, de acontecimentos, até que restou uma pessoa, minha Mãe. Até já ouvi recitá-lo com um certo ar de graça. Ora não tem graça de espécie nenhuma: é simplesmente um agradecimento por me ter permitido ser assim como sou."

In Jornal Expresso, 4 de Junho,1994


"A minha mãe tinha apenas a escola primária mas ela, como uma das minhas irmãs, amava os livros , e por isso havia em casa um certo ambiente literário.(…)Um dos livros que eu vim a considerar uma espécie de bíblia- 1001 Noites- também chegou até nós. (…) A minha mãe não escrevia poesia, pelo menos não abertamente, mas eu sei que no fundo ela o fazia. Disso estou absolutamente certo. E tudo o que sou hoje é na verdade a reprodução dela. A rosa a que eu me refiro num dos meus poemas é uma reprodução dela. Por isso, na casa de meus pais havia uma espécie de atmosfera literária. Éramos instigados para estarmos interessados pela poesia, mas é claro, de uma forma muito modesta."

GEDEÃO, António, 51v 3 poems and other writings, organizado por A. M. Nunes dos Santos, 1ª edição, Viseu, FCT da Universidade Nova de Lisboa,1992, 11p.

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