A mitificação do sonho na poesia de António Gedeão

A poesia de António Gedeão mostra-nos que foi um dos homens que compreendeu a difícil relação entre o homem e a sociedade que o rodeia. Descreve-nos um homem sofrido, isolado, desiludido com ele próprio e com os outros. A falta de solidariedade e de respeito retratadas com detalhe excepcional em poemas como o "Poema do Homem Só" ou ainda "Calçada de Carriche", são a imagem viva do desespero presente no íntimo de cada indivíduo.

Para o poeta há uma única solução: o sonho. O facto de continuar a ter esperança, de viver comos olhos postos no horizonte, de desejar sempre algo melhor permitirá aos homens a fuga ansiada e a libertação de todas as correntes. O poema "Pedra Filosofal" é o melhor exemplo deste espírito que mitifica o sonho e a imaginação. Um poeta preocupado com a relação problemática entre o homem e a sociedade. Considera ser a poesia, a única forma de tentar restabelecer uma ligação harmoniosa entre estes dois elementos.

O homem enquanto animal só, sofrido, humilhado e desprezado é a imagem que António Gedeão soube, como ninguém, retratar. Nos seus poemas, deparamo-nos com uma humanidade explorada e pouco solidária que o poeta parece ter pena e ao mesmo tempo orgulho e esperança.

Resta apenas pois a esperança, o sonho, o desejo de um mundo melhor que poderá chegar, ou não, em breve.

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