Morte

"Hei-de morrer exactamente inocente como nasci"

A morte do professor Rómulo de Carvalho chegou às 21h30m do dia 19 de Fevereiro, na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de St. Maria em Lisboa. A do poeta António Gedeão já tinha chegado há algum tempo com a publicação de "Poemas Póstumos" e de "Novos Poemas Póstumos". As reacções à sua morte não se fizeram esperar por parte das mais variadas figuras da vida pública portuguesa. Morreu com 90 anos, com a mesma lucidez com que sempre vivera, "essa forma lúcida de não perceber coisa nenhuma. Não tenho medo nenhum da morte."

O Mestre que não acreditava poder zangar-se com alguém, considerava que havia de morrer inocente, exactamente como nascera. Poeta até ao fim, embora tivesse morto o seu alter-ego poético, António Gedeão, afirmava em 1989: "continuarei a escrever poesia até ao último suspiro. Suponho que o último suspiro será um verso."

Rómulo e Gedeão, o pedagogo da simplicidade e o poeta do sonho, deixam-nos uma obra vastíssima com a lucidez das palavras, idealisticamente voltada para o futuro, onde o seu grande objectivo era de o Mestre poder ser entendido por todos. E com isso legou-nos poemas que ficarão para sempre ligados ao imaginário da alma lusófona.

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