Movimento Perpétuo

Em 1956, surge um novo nome no panorama literário nacional— António Gedeão.

A sua primeira obra, Movimento Perpétuo, surpreende e intriga os críticos de poesia da época, tanto pela sua maturidade, qualidade e originalidade, como pelo mistério que envolve a geração (aparentemente espontânea) do poeta Gedeão, um nome, até ao momento, totalmente desconhecido de todos. De facto, somente aos 50 anos de idade, quando lança Movimento Perpétuo, Rómulo de Carvalho, professor de ciências físico-químicas, cria António Gedeão, o seu pseudónimo, por, segundo o próprio, não querer misturas públicas.

Nesta sua estreia literária, António Gedeão é recebido com entusiasmo pela crítica. A sua poesia, é considerada inovadora, com uma estrutura poética diferenciada de tudo quanto se produzia na época ou produzira até então. Não obstante, segundo David Mourão-Ferreira, um dos críticos literários que, logo em 1956, abençoou a obra de Gedeão, detectavam-se, "num ou noutro verso, num ou noutro ritmo, numa ou noutra preocupação",. (muito) ligeiras afinidades com a obra de Fernando Pessoa. Porém, o tom, a temática, o vocabulário de Movimento Perpétuo eram únicos e nunca vistos. E, talvez devido ao "não sei quê" que, apesar da insistente lucidez racional patente na poesia de Gedeão, nunca deixava de se afirmar e cantar a vida e o sonho, o surgir desta sua primeira obra afigurou-se um momento ímpar no "meio" literário nacional.

Apesar de, em Movimento Perpétuo, serem constantes os momentos de abatimento, descrença, desespero, mais importante é o facto de a "Vida" e o "Sonho" deixarem de ser realidades que se opõem, como acontecia em quase toda a moderna poesia portuguesa, para se fundirem, transformando a poesia num facto de todo o tempo, de todos os instantes.

Para a história, ficou o mais conhecido e emblemático poema de António Gedeão: Pedra Filosofal.

O que disse David Mourão-Ferreira

O que disse Jacinto Prado Coelho

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